Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de janeiro de 2026
O professor de filosofia da Universidade Texas A&M Martin Peterson foi avisado na semana passada pela chefe do seu departamento, Kristi Sweet, de que deve deve “remover ou abandonar” trechos sobre questões raciais e de gênero de “O banquete”, de Platão (427- 347 a.C.) em um curso introdutório de filosofia. Ou lecionar um curso diferente. Localizada na cidade de College Station, a Texas A&M é uma das universidades mais prestigiadas dos Estados Unidos, com mais de 50 mil alunos.
A censura à obra de um dos fundadores da cultura ocidental — e que foi particularmente admirado por autores neoconservadores como Irving Kristol (1920-2009), considerado o fundador do movimento, e Leo Strauss (1899-1973) — faz parte de uma revisão dos currículos da universidade para cumprir a nova política de que nenhum curso deve “promover ideologia racial ou de gênero, ou tópicos relacionados à orientação sexual ou identidade de gênero”.
A norma só admite exceções com aprovação prévia do reitor interino Simon North. No fim de 2025, o reitor Mark Welsh foi forçado a renunciar, acusado de promover a “ideologia transgênero” (contrária à perspectiva conservadora do governo Donald Trump) por não demitir um professor que havia feito comentários sobre gênero e sexualidade em uma aula de literatura infantil.
Os trechos de “O banquete” que teriam incomodado a direção da universidade incluem o mito de Aristófanes que deu origem à expressão “cara-metade”, em que ele conta como a humanidade inicialmente tinha três gêneros (masculino, feminino e andrógino), e a parte em que a sacerdotisa Diotima revela as etapas do amor até chegar à transcendência.
“Sua decisão de proibir um professor de filosofia de ensinar Platão é sem precedentes. Vocês estão tornando a Texas A&M famosa, mas não pelos motivos certos”, avisou Peterson, em resposta à sua chefe.
Outras restrições
O curso de Peterson não é o único ameaçado pelas novas regras. Ao menos duzentos cursos da Faculdade de Artes e Ciências foram “sinalizados ou cancelados pelo conselho universitário por conteúdo relacionado a gênero ou raça, enquanto a universidade realiza uma revisão de todos os currículos”, relataram alguns professores.
Na primeira semana de 2026, professores de inglês receberam um e-mail da vice-reitora executiva da universidade, Cynthia Werner, informando-os de que obras literárias com enredos relacionados à homossexualidade, lesbianismo ou transexualidade não deveriam ser ensinadas no currículo básico, mas sim em disciplinas eletivas ou de pós-graduação. Seguindo essa lógica, romances de Thomas Mann, Virginia Woolf, James Baldwin e Marguerite Yourcenar teriam que ser banidos. (As informações são de O Globo)