Terça-feira, 16 de Julho de 2024

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Na semana passada faleceu “Clarinha”.

Ela ficou internada quase 24 anos em estado vegetativo em Vitória. Foi vítima de atropelamento no dia dos namorados em 12/06/2000. Como não tinha documentos e nenhum familiar a visitou durante todos estes anos, a desconhecida recebeu o nome de “Clarinha” pela equipe médica que a adotou por este longo período de tempo. O estado vegetativo é decorrente de grave dano do córtex cerebral. É a morte do cérebro!

A análise da vida a partir de uma conclusão médica de irreversibilidade oferece discussão dentro da medicina, da religião, da filosofia e da ética.

Segundo o “Guiness World Records” o caso mais longo e documentado é de Elaine Esposito que permaneceu em estado vegetativo por 37 anos. A mesma foi submetida a uma apendicectomia (ressecção do apêndice) e nunca mais recuperou a consciência.

Em 2015 faleceu a indiana Aruna Shanbuag que foi estuprada sofrendo graves lesões cerebrais em 1973. Passou 42 anos num hospital em Mumbai. O caso despertou uma polêmica mundial a respeito da eutanásia. Conceitualmente é a conduta de provocar a morte de um paciente com enfermidade terminal e incurável. É aliviar o sofrimento de forma suave e indolor.

Entretanto o caso mais famoso é o de Michael Schumacher. Sete vezes campeão de Fórmula 1. Desde dezembro de 2013, após chocar-se com uma pedra em grave acidente de esqui, nunca mais recuperou as funções cerebrais. Desgraçadamente o piloto filmou o seu próprio acidente. Em 2016, o jornal “The Sun” publicou reportagem e concluiu que a família do piloto gastava 24 milhões de reais por ano para mantê-lo vivo.

São dois milhões por mês!

A eutanásia é movida por um sentimento de compaixão que é o fiador de uma morte mais digna e humanizada. A ortotanásia é a conduta médica de não interferência no curso natural da doença. É a omissão consciente do médico com conivência da família. Medicamentos e aparelhos artificiais, mantenedores da vida, não devem ser mais usados.

No Brasil a eutanásia é crime, mas a ortotanásia é aceita pelo Conselho Federal de Medicina desde 2010. Evidentemente cria um conflito ético médico pois juramos reunir todos nossos esforços para a cura do paciente.

Recentemente este dilema terrível envolveu nossa família com a morte do meu cunhado Renato. Afável, educado, gentil polido e cortês. Era considerado um lord inglês. Depois de ficar cinco meses na UTI, nos deixou! O amargor na boca e no coração será eterno. Será que nós familiares médicos não poderíamos ter feito algo maior e melhor para evitar tanto sofrimento.

Vá em paz Renato, nos perdoe!

(Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário)

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