Quinta-feira, 02 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de abril de 2026
Quatro astronautas da missão Artemis II partiram, na quarta-feira (1º), a bordo de um enorme foguete da Nasa em uma viagem que os levará ao redor da Lua, o primeiro sobrevoo lunar tripulado em mais de 50 anos. Após o lançamento, no entanto, a espaçonave Orion apresentou uma série de problemas, como falhas no sistema do banheiro, instabilidade na comunicação, dificuldades em equipamentos internos e temperatura dentro da cápsula abaixo do esperado.
Os contratempos não se limitaram ao período após a decolagem. Na última hora antes do lançamento, a Nasa também precisou lidar com alguns problemas, entre eles, um no sistema de aborto de lançamento, mecanismo responsável por ejetar a tripulação em caso de falha. A contagem regressiva chegou a ser pausada a 10 minutos do lançamento, enquanto engenheiros trabalhavam para resolver a questão, o que foi feito a tempo.
Banheiro
Após a decolagem, um problema foi identificado “no controlador do vaso sanitário quando ele foi acionado”, segundo o administrador associado da Nasa, Amit Kshatriya, em uma coletiva de imprensa. A falha foi sinalizada por uma luz de alerta piscando no sistema.
O contratempo mobilizou rapidamente as equipes em terra, já que a cápsula Orion conta com apenas um banheiro a bordo. Apesar da agenda intensa logo após o lançamento, os astronautas realizaram testes para investigar a falha com o apoio do controle da missão.
A astronauta da Nasa, Christina Koch, conduziu os procedimentos, que apresentaram resultados positivos. Com isso, o sistema foi restabelecido, garantindo o funcionamento do sanitário, um alívio para a tripulação em uma missão prevista para durar cerca de dez dias.
Pouco antes do período de descanso, Koch voltou a consultar o centro de controle em Houston para confirmar se o uso do banheiro estava liberado ao longo da noite. A resposta foi direta: “Vocês podem usar o banheiro a noite toda”, informou a equipe em terra.
Este é o primeiro voo ao espaço profundo com um banheiro instalado. Nas missões Apollo, nas décadas de 1960 e 1970, os astronautas utilizavam sacos de coleta de resíduos durante a viagem até a Lua, que eram posteriormente descartados na superfície lunar.
O sanitário da missão Artemis II foi desenvolvido para operar em condições de ausência de gravidade, um dos principais desafios enfrentados por astronautas no espaço. O equipamento, chamado “Sistema Universal de Gestão de Resíduos”, recebeu investimento superior a US$ 23 milhões (cerca de R$ 118,6 milhões, na cotação atual), segundo a rede BBC.
O banheiro foi projetado para atender homens e mulheres. No caso da urina, utiliza um funil conectado a uma mangueira, com processamento feito por meio de um fluxo de ar suave, que evita vazamentos. Para resíduos sólidos, o sistema conta com um assento especializado, que suga o material para um recipiente selado.
Nessas condições, o uso do equipamento exige cuidados específicos. A cápsula conta com barras de apoio e suportes para os pés que ajudam a manter os astronautas estáveis, além de um sistema com fluxo de ar que direciona os resíduos para compartimentos separados e reduz odores. O sistema é descrito como bastante barulhento, exigindo o uso de proteção auditiva.
Comunicação e equipamentos
O diretor da Nasa, Jared Isaacman, relatou uma falha de comunicação com a espaçonave na primeira hora de voo.
“Aproximadamente 51 minutos após o lançamento, durante uma transição planejada entre satélites, a espaçonave Orion apresentou um problema de comunicação, levando a uma perda parcial temporária”, afirmou ele, em coletiva.
Isaacman explicou que, por um breve período, a tripulação conseguia ouvir o controle da missão, mas suas respostas não eram recebidas em terra. O sistema foi restabelecido pouco depois.
Além disso, os astronautas enfrentaram dificuldades técnicas em sistemas internos. Um dos dispositivos de computação pessoal usados pela tripulação apresentou falhas, incluindo problemas no funcionamento do cliente de e-mail Outlook, o que exigiu suporte do controle da missão.
A equipe também relatou problemas no uso de câmeras e celulares a bordo, com falhas no ajuste de imagem que dificultaram o registro de fotos da Terra.
Temperatura
A temperatura dentro da cápsula Orion também foi motivo de preocupação nas primeiras horas da missão. Em comunicação com o centro de controle, em Houston, Koch relatou que o ambiente estava frio e questionou se seria possível aquecer a cabine ou reduzir a intensidade da ventilação.
“Está muito frio na cabine. Há alguma chance de aumentar a temperatura ou diminuir a velocidade do ventilador para que o ar não esteja soprando tão forte?”, perguntou.
A equipe em terra informou que, enquanto os astronautas dormiam, realizou ajustes no sistema, com uma leve elevação na temperatura. Ainda assim, o comandante Reid Wiseman relatou a persistência de “alto fluxo de ar e sensação de frio” no interior da espaçonave.
Como resposta, o controle da missão reduziu a velocidade da ventilação e informou que avaliaria o acionamento de aquecedores do sistema para tentar estabilizar a temperatura.