Domingo, 30 de Novembro de 2025
Por Redação Rádio Pampa | 30 de novembro de 2025
A Venezuela pediu ajuda à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para deter a “agressão” dos Estados Unidos, que mantêm desde agosto uma operação antidrogas no Caribe, segundo uma carta do presidente Nicolás Maduro divulgada neste domingo (30).
A mobilização dos Estados Unidos inclui navios, caças, milhares de militares, o maior porta-aviões do mundo e uma ameaça feita pela Casa Branca sobre o fechamento de seu espaço aéreo. A Venezuela afirma que as manobras não têm como objetivo combater o narcotráfico, e sim derrubar o Maduro.
“Espero contar com os seus melhores esforços para contribuir para deter esta agressão que acontece com cada vez mais força e ameaça seriamente os equilíbrios do mercado energético internacional”, afirma a carta de Maduro lida pela vice-presidente Delcy Rodríguez durante um comitê ministerial virtual da Opep.
O presidente venezuelano afirma que Washington pretende derrubar seu governo e assumir o controle das reservas de petróleo do país. E destaca que uma ação militar “coloca em grave perigo a estabilidade da produção de petróleo venezuelana e o mercado mundial”.
A Venezuela foi um dos fundadores da organização, em 1960, e tem as maiores reservas comprovadas de petróleo, embora sua capacidade de exportação seja afetada por sanções e problemas internos de infraestrutura.
No sábado (29), o presidente Donald Trump advertiu que o espaço aéreo da Venezuela deveria ser considerado “fechado em sua totalidade”. Na semana passada, Washington emitiu um alerta aéreo devido à crescente atividade militar na zona, que foi acatado por seis companhias aéreas que suspenderam os voos para e a partir da Venezuela.
Neste domingo, a agência de viagens russa ‘Pegas Touristik’, que organizava viagens com frequência para a ilha de Nueva Esparta (norte), também acatou o alerta americano e suspendeu seus voos. Desde 2021, Venezuela e Rússia assinaram vários convênios turísticos e Nueva Esparta recebeu milhares de turistas russos, que contribuem para a economia da ilha.
A Venezuela mantém no momento suas duas rotas de voo para a Rússia, aliada do chavismo, com a companhia aérea estatal Conviasa. O Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (Inac) da Venezuela revogou as licenças de operação no país de seis companhias: a espanhola Iberia, a portuguesa TAP, a colombiana Avianca, a filial colombiana da chileno-brasileira Latam, a brasileira GOL e a turca Turkish.
O governo Maduro acusa as companhias aéreas de aderirem “às ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos Estados Unidos”.
Trump disse na quinta-feira que os esforços para deter os narcotraficantes venezuelanos “por terra” começarão “muito em breve”, mas acrescentou que conversará com Maduro “em algum momento”. Segundo a imprensa americana, os dois conversaram por telefone na semana retrasada, mas o teor do diálogo não foi divulgado.