Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de fevereiro de 2026
Você vive de olho na quantidade de comida que coloca no prato, busca fazer escolhas saudáveis, mas parece que o resultado desse esforço não aparece na balança? Pois saiba que, muitas vezes, certos hábitos cotidianos, escolhas aparentemente inofensivas e até questões emocionais acabam virando calorias extras sem que a gente se dê conta.
Especialistas explicam quais são os principais fatores “invisíveis” que podem estar por trás do ganho de peso e sugerem estratégias mais eficazes para evitar a briga com a balança.
Calorias líquidas
Ao tentar emagrecer, muita gente passa a controlar rigorosamente o que coloca no prato, mas esquece de observar o que coloca no copo. Bebidas calóricas fornecem energia em grande quantidade, promovem pouca saciedade e são consumidas com facilidade em excesso ao longo do dia. Refrigerantes, sucos industrializados, cafés adoçados, bebidas alcoólicas e energéticos estão entre os principais vilões.
Porções maiores
O aumento do tamanho das porções ao longo das últimas décadas também influencia diretamente o consumo calórico sem que a gente perceba. Pratos grandes (especialmente em restaurantes no modelo buffet por quilo), embalagens tamanho família, promoções em aplicativos e a cultura de “comer tudo o que está no prato” levam as pessoas a ingerir mais do que precisam.
Beliscar o tempo todo
Um queijinho aqui, um pedacinho de bolo ali, uma fatia de pão, um punhado de castanhas no fim da tarde. Isoladamente, essas escolhas parecem inocentes, mas, ao longo do dia, esses “beliscos” podem representar uma ingestão calórica significativa. O nutricionista Jônatas de Oliveira, pesquisador na Faculdade de Medicina da USP, reforça que o ato de beliscar muitas vezes está ligado a fatores emocionais, como estresse e ansiedade.
Não ler rótulos
Termos como “fit”, “integral” ou “zero açúcar” nem sempre significam que o alimento é equilibrado ou pouco calórico e, como consequência, podem induzir ao erro. Muitos produtos ultraprocessados usam essas expressões no rótulo, mas continuam ricos em gordura, sódio ou calorias. “Um alimento sem açúcar pode ter mais gordura para manter a palatabilidade”, explica a nutricionista e pesquisadora da Unifesp, Valéria Machado.
Comer muito tarde
Jantar tarde, por si só, não causa ganho de peso. O problema está em chegar à noite com fome excessiva e consumir grandes quantidades de comida, geralmente após um dia mal planejado do ponto de vista alimentar. A recomendação geral é fazer a última refeição de duas a três horas antes de dormir. Isso favorece a digestão e a qualidade do sono, evitando a sensação de empachamento.
Restringir e exagerar
Manter uma alimentação rígida de segunda a sexta e “liberar geral” no fim de semana é um comportamento comum e que acaba influenciando de forma importante no ganho de uns quilos a mais. Os excessos frequentes acabam anulando o déficit calórico alcançado na dieta feita durante a semana e podem favorecer episódios de compulsão.
Não gastar energia
Os especialistas explicam que o balanço entre consumo e gasto energético é importante, mas está longe de ser uma conta simples. Isso porque a atividade física é fundamental, mas, isoladamente, não garante que a pessoa não vai engordar.
Perigo dos extras
Molhos, azeite, mel, granola e oleaginosas são alimentos saudáveis, mas altamente calóricos. Acréscimos sem controle no prato podem dobrar ou triplicar o valor energético de uma refeição aparentemente leve. “Uma colher de sopa de azeite tem cerca de 120 calorias”, exemplifica Valéria Machado.
Dormir pouco ou mal
O sono é um dos pilares do controle do peso. Dormir menos do que o necessário desregula hormônios ligados à fome e à saciedade, aumenta o apetite e reduz o autocontrole alimentar.
Estresse crônico
Quando o estresse se torna persistente, o corpo passa a liberar cortisol de forma contínua, o que aumenta o apetite e favorece o acúmulo de gordura abdominal. Além disso, o estresse interfere negativamente nas escolhas alimentares e muitas pessoas acabam usando a comida como forma de recompensa ou alívio emocional.
Efeito de medicamentos
Alguns medicamentos podem interferir no apetite, no metabolismo e no gasto energético, favorecendo o ganho de peso. Antidepressivos, corticoides, ansiolíticos estão entre os que podem causar esse efeito. “Existe obesidade induzida por medicamentos, e não é força de vontade que resolve. A abordagem precisa levar em conta o tipo de medicação, o tempo de uso, o metabolismo e o contexto de saúde de cada paciente”, afirma Oliveira.
Massa muscular
Com o envelhecimento, o sedentarismo ou dietas muito restritivas, ocorre perda de massa muscular. Como o músculo é metabolicamente ativo, menos músculo significa menos gasto calórico diário, favorecendo o ganho de peso mesmo sem mudanças aparentes na alimentação. (Com informações de O Estado de S. Paulo)