Sexta-feira, 10 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de julho de 2026

No primeiro semestre de 2026, o mercado automotivo gaúcho viveu um momento que já entra para a história. Foram 89.144 unidades emplacadas, crescimento de 2,65% sobre o mesmo período de 2025, resultado que recoloca o Rio Grande do Sul em trajetória sólida de recuperação e o deixa a apenas 762 veículos de reconquistar espaço entre os dez maiores mercados do país.
O dado mais simbólico é a consolidação dos veículos eletrificados. No acumulado, foram 13.560 unidades, avanço de quase 130%, com os elétricos (7.702) superando pela primeira vez os híbridos (5.858). Em junho, mais de 34% dos automóveis vendidos no estado já eram eletrificados, contra cerca de 20% no Brasil. O fenômeno se traduz em nomes: o BYD Dolphin Mini, 100% elétrico, fechou o semestre como o segundo carro mais vendido do RS, com 2.216 unidades, apenas 73 atrás do campeão GM Tracker.
Os automóveis de passeio seguem como motor do mercado, com 47.127 unidades (+9,31%), e junho registrou o melhor ritmo mensal (+25,64%). Já as motocicletas mantêm crescimento consistente (+6,65%), impulsionadas por delivery e mobilidade urbana. Em contrapartida, os comerciais leves (-14,76%) e os caminhões (-21,79%) sentiram os efeitos da crise do agronegócio, embora junho tenha mostrado reação pontual, puxada pelo programa Move Brasil.
Jefferson Fürstenau, presidente da Fenabrave-RS, resumiu o momento: “Encerramos o melhor primeiro semestre desde 2019. O consumidor voltou às concessionárias, novas tecnologias ganharam espaço e o mercado mostrou resiliência.” Ele projeta que o estado pode fechar o ano com crescimento de 5%, chegando perto de 200 mil veículos vendidos.
O contraste com o cenário nacional é evidente. Enquanto o Brasil avançou 16% no semestre, puxado por automóveis e motocicletas, o RS cresceu em ritmo mais cauteloso. A estiagem e a retração do agro impactaram segmentos vitais, como caminhões e utilitários, reforçando a dependência da economia regional sobre a produção agrícola.
Além da questão econômica, há entraves estruturais: pedágios elevados e rodovias em más condições encarecem a logística e pressionam preços ao consumidor. A Fenabrave defende concessões com tarifas justas e investimentos em infraestrutura como pré-requisito para a competitividade do setor.
O segundo semestre, tradicionalmente mais forte, traz expectativas positivas. A Expointer deve ampliar espaço para marcas e tecnologias, e novos programas de incentivo, como um possível Move Brasil 3, podem sustentar a retomada.
Em resumo, o RS vive um semestre histórico: os elétricos assumem protagonismo, os automóveis sustentam o crescimento e o estado se aproxima de reconquistar espaço entre os maiores mercados do país. A fotografia do setor mostra um mercado em transformação, resiliente, mas ainda dependente de crédito acessível e de infraestrutura capaz de acompanhar o ritmo da inovação. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)