Quinta-feira, 30 de Maio de 2024

Home em foco A briga política que levou à troca de farpas entre Romário e Bebeto

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Afinados na conquista do tetracampeonato da Seleção Brasileira na Copa de 1994, os ex-atacantes Romário e Bebeto protagonizaram nos últimos dias uma troca de alfinetadas que estremeceu a relação já vinha abalada desde as últimas eleições. Após ser chamado de “traidor” pelo Baixinho, hoje senador pelo PL-RJ, o ex-camisa 7 revidou chamando o ex-parceiro de ataque de “esclerosado”.

O racha está relacionado à campanha de 2022, ano em que Bebeto, ex-deputado estadual, concorreu a uma vaga na Câmara pelo PSD e não se elegeu. Na corrida ao Senado pelo Rio, ele apoiou a candidatura de André Ceciliano (PT), que acabou derrotado por Romário que, por sua vez, decidiu pedir votos para Renato Zaca (PL) para o cargo disputado por Bebeto. O Baixinho disse que não brigou com ex-parceiro, mas frisou seu descontentamento:

“Traidor. Foi (meu maior parceiro), mas não é mais. Me traiu na política. Tem algumas coisas na vida que eu levo para sempre, dentro e fora da política. Quando é com um cara que você gosta, que você conviveu e tem uma relação de amizade em todos os sentidos, isso é triste”, declarou o ex-jogador ao “Podcast do Garotinho”, do jornalista José Carlos Araújo.

Bebeto e Ceciliano se aproximaram quando o então deputado do PT presidia a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), entre 2019 e 2022, período em que o ex-jogador, à época deputado estadual, considerou ter sido “largado” por Romário.

“Ele me chamou para o Podemos e fui o único eleito pelo partido. Depois, largou o partido, me deixou sozinho e nem me avisou, soube através da imprensa. Ele escolheu um lado e não me chamou. Tive que me mexer e buscar o meu lado. André Ceciliano foi um cara que sempre me ajudou na Alerj, e sou muito grato a pessoas assim”, afirmou Bebeto.

Em 2018, quando Romário concorreu ao governo do Rio pelo Podemos, Bebeto se filiou ao mesmo partido a convite do ex-companheiro de futebol e se elegeu para o terceiro mandato. Três anos depois, porém, Romário decidiu deixar a sigla e se filiar ao PL, segundo Bebeto, sem avisá-lo. Em entrevista ao Uol, Bebeto subiu o tom:

“Quem é ele para me chamar de traidor? O Romário está ficando velho e acho que está ficando esclerosado, falando muita besteira. Tenho uma carreira íntegra no futebol e na política, nunca me envolvi em polêmicas. Não posso falar o mesmo dele, que é um egoísta, sempre pensou apenas nele”, afirmou Bebeto ao site.

Além da irritação com o processo de troca partidária, Bebeto e Romário passaram a nutrir certo incômodo mútuo por declarações envolvendo a Copa de 1994. Para Bebeto, não caíram bem algumas entrevistas de Romário nos últimos anos, nas quais teria sugerido que ganhou “sozinho” o tetracampeonato — o que o Baixinho nega ter dito.

“Já ouvi alguns companheiros meus de 1994 dizerem que eu já falei que ganhei a Copa sozinho. Nunca falei isso. Até porque não sou leviano, nem imbecil. Eu tenho a consciência, e sei que eles também têm, de que eu sobressaí”, disse Romário ao podcast Barbacast, em agosto de 2022.

Em entrevista à revista “Placar” em 2016, por exemplo, Romário frisou não ter jogado “sozinho”, mas afirmou também que “os outros jogadores sentiam que eu (Romário) era o mais importante”. Em outra entrevista, no ano passado, ao podcast “Que papinho”, Romário disse ter 50% da responsabilidade pelo título mundial de 1994.

Desgaste 

A relação entre Romário e Bebeto, no entanto, não havia desandado até o fim do ano passado. Tanto que Bebeto topou gravar um longo depoimento para a série “Romário, o cara”, produzida por uma plataforma de streaming.

O primeiro sinal público de atrito veio numa entrevista de Romário ao youtuber Fred Desimpedidos, em novembro passado, na qual citou Bebeto como “decepção” por ter apoiado “outro senador” naquela campanha eleitoral. Na ocasião, Bebeto afirma ter tentado ligar para Romário para conversar sobre o assunto, mas o Baixinho não atendeu, nem retornou.

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