Terça-feira, 23 de Junho de 2026

Home Política A hipocrisia dos partidos de Lula e de Bolsonaro ao defender a criação da CPMI do Master

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Em um intervalo de poucas semanas, o escândalo do Banco Master, epicentro da maior pirâmide financeira da história do país, erigida sobre a base de relações políticas obscuras entre agentes públicos e privados, enredou o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, e o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

O primeiro passou pelo constrangimento de ver divulgadas mensagens suas para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pedindo, em tom fraterno, dezenas de milhões de dólares, supostamente para a cinebiografia de seu pai Jair Bolsonaro. O segundo foi alvo, na última quinta-feira (18), de uma operação da Polícia Federal (PF), sob a acusação de ter recebido propina para utilizar seu mandato em benefício do Master.

Ambos refutam integralmente qualquer suspeita de ilegalidade. E não é só isso que têm em comum. Antes de serem atingidos pelo escândalo, tanto um como o outro haviam garantido a aliados, em conversas reservadas, que, apesar de indícios anteriores de menor repercussão sobre suas relações com Vorcaro e companhia, não havia nada com que se preocupar. Pelo visto, havia.

E, em meio ao estrago político de ver líderes seus arrastados para o noticiário policial a poucos meses de uma eleição presidencial, tanto o PL como o PT dobraram a aposta no ataque como melhor defesa, reforçando os discursos pela instalação imediata de uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para o próprio Congresso investigar o caso Master e suas ramificações políticas.

Outra característica compartilhada entre os dois extremos da polarização que domina a política brasileira desde 2018 é que cada lado celebrou efusivamente o momento em que o outro teve o nome associado à megafraude do Master.

Não esquecendo, é claro, que, talvez à exceção de deputados de baixo clero que fariam qualquer coisa para ter a visibilidade de uma CPMI, na esperança de reter um fio de esperança na reeleição, mesmo que isso prejudicasse seus respectivos candidatos à Presidência, nenhum líder de PL e PT em sã consciência vê com bons olhos a instalação de uma comissão de inquérito a esta altura, faltando menos de quatro meses para o primeiro turno do pleito.

Quem tampouco quer dar vida à investigação parlamentar é o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), detentor solo da prerrogativa de instalar CPIs mistas ou, como no caso em tela, deixá-las muito bem guardadas na gaveta. Também alvo de suspeitas como mostrou reportagem da revista Veja, uma das propostas de delação do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro citou um suposto pagamento de 30 milhões de dólares ao amapaense em uma conta no exterior, ele tem feito repetidos desabafos públicos, tanto sobre as informações que poderiam atingi-lo em cheio quanto sobre o clima político do país.

“Hoje, o que tem valido é a presunção da culpa, e não presunção da inocência”, criticou Alcolumbre, ao falar com jornalistas sobre a operação contra Jaques Wagner. O chefe do Poder Legislativo prestou solidariedade ao colega, com quem viveu às turras nos últimos meses, e pediu que se respeite o imperativo constitucional de que ninguém pode ser considerado culpado de um crime até que sofra condenação com trânsito em julgado. (Com informações da revista Veja)

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A hipocrisia dos partidos de Lula e de Bolsonaro ao defender a criação da CPMI do Master
Presidente nacional do PT diz que “todos os envolvidos no escândalo do Banco Master terão que se explicar”
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