Domingo, 04 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de outubro de 2026
A jogatina no Brasil começou a ficar popular em 1893, com o Barão de Drummond, dono de zoológico do RJ.
Com o fim dos subsídios que eram dados pelo Império, sem dinheiro para manter o Zoo, Drummond lançou uma loteria para arrecadar recursos.
O jogo original consistia em 25 animais do Zoológico, sendo que cada animal correspondia a quatro dezenas, de 00 até 99, por ordem alfabética, do Avestruz à Vaca. Assim nasceu o jogo do bicho.
Curiosidade:
Entre os apostadores, dizer que “deu zebra” era uma linguagem que se referia a algo impossível de acontecer, pois no zoo e no jogo do Barão não havia a zebra.
Em 1964, a expressão “deu zebra” se popularizou no futebol com o treinador Gentil Cardoso, da Portuguesa.
Repórteres perguntaram sobre o jogo contra o poderoso Vasco da Gama. Gentil respondeu aos repórteres:
“Ganhar do Vasco é impossível.
É mais fácil ‘dar a zebra’ no jogo do bicho.”
A Portuguesa venceu a partida por 2×1 e consagrou o bordão.
Voltando.
Em 1920, o então Presidente da República, Epitácio Pessoa, deu uma “canetada” autorizando os cassinos no Brasil.
O decreto original tinha como objetivo (ou desculpa) melhorar receitas para os serviços de saúde pública.
No decreto, o governo abriu a exceção para funcionamento de cassinos em estâncias hidrominerais, com a cobrança de 15% de impostos para melhorar as receitas da saúde pública.
Em 26 anos, o Brasil já tinha cerca de 71 cassinos em pleno funcionamento; só no Estado do Rio de Janeiro eram no mínimo seis.
Em 1946, foi a vez do Presidente Gen. Eurico Gaspar Dutra dar a sua “canetada” e proibir os jogos.
Tinha apenas 3 meses no mandato presidencial, mas sob forte pressão política de aliados, de que a medida lhe daria grande popularidade e distanciamento da “Era Vargas”, que fora grande incentivador dos cassinos.
E mais, Benjamim Vargas (irmão de Getúlio), que tinha forte ligação com empresários donos de cassinos.
E, por fim, a influência de Dona Santinha, a Primeira-Dama, tinha aversão à jogatina e aos shows em cassinos. A esposa do Presidente Dutra exerceu forte pressão de bastidores para o marido fechar as casas de apostas.
Com os argumentos da moralidade e dos bons costumes cristãos, o Presidente Dutra, em uma penada, liquidou com 50 mil empregos diretos do dia para a noite.
De quebra, o mais fenomenal dos atrasos no segmento do turismo brasileiro.
Estima-se que foram perdidos mais de 50 mil empregos diretos.
Cerca de 1% da população urbana economicamente ativa ficou desempregada com a proibição dos cassinos.
Detalhe importante!
Para se jogar nos cassinos, é necessário que a pessoa tenha que fisicamente ir até o local e ter no mínimo 21 anos de idade. Coisas do passado!
Os jogos voltaram em 1970, durante o regime militar; foi criada a loteria esportiva, que se tornou muito popular.
O bordão “deu zebra” foi incorporado e virou “febre” na divulgação dos resultados no programa Fantástico, da Rede Globo.
Em 1994 a 2003, vieram as modalidades de apostas Quina, Mega-Sena, Lotomania e Lotofácil.
Correndo por fora, a Loteria Federal de números da CEF, desde 1962, nos atuais moldes.
Em todas estas modalidades, existe a necessidade de o apostador ir até a lotérica para fazer suas apostas. Paga a aposta e aguarda em casa o resultado.
Em 2023, foram regulamentadas as BETs (jogos de apostas on-line), onde se aposta de tudo.
De reboque, veio o “Tigrinho”, jogo também on-line, com valores iniciais extremamente baixos.
Conquistaram o público pelo preço e simplicidade, principalmente pessoas de baixa renda.
A princípio, parecia tudo bem.
Nestas modalidades de jogo de azar, não há necessidade de o apostador se deslocar, nem mesmo para lotéricas.
Joga-se em qualquer hora, em casa, no trabalho, no trânsito e, o pior, adolescentes e até crianças!
Será que não foram realizados estudos sociológicos de impactos na sociedade?
As motivações para liberação são sempre com argumentos da destinação dos impostos arrecadados para causas nobres e o entretenimento popular.
Isto tudo no “Mundo do antes”,
o depois é o depois!
Projetos mal elaborados, populistas e irresponsáveis terminam na “canetada”, via de regra, com motivações e interesses políticos.
Sem uma avaliação criteriosa das consequências jurídicas e custos para a sociedade.
Como se quisesse corrigir um erro cometendo outro. Diz a antiga expressão:
Dois erros não fazem um acerto.
Deu Zeeeebra!
Mesmo sem ter apostado, você já sabe quem vai pagar essa conta.
* Rogério Pons da Silva