Domingo, 11 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 10 de janeiro de 2026
Com a chegada do verão, o aumento das chuvas, da circulação de pessoas e do volume de viagens amplia o risco de transmissão de doenças infecciosas como hepatite A, dengue e febre amarela. Especialistas alertam que grande parte dessas enfermidades pode ser evitada por meio da vacinação e recomendam que adultos revisem a carteira vacinal antes de iniciar as férias ou se deslocar para outras regiões do país.
Além das vacinas disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), alguns imunizantes que não integram o calendário regular de adultos podem ser oferecidos sem custo em situações específicas pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs). Nessas unidades, pessoas com maior risco de complicações —como pacientes que vivem com HIV, pessoas com câncer e transplantados— têm acesso a vacinas como as meningocócicas e pneumocócicas, que não fazem parte da rotina para a população geral.
Entre as principais vacinas indicadas para adultos estão as de hepatite A e B. A vacina contra hepatite A, disponível na rede privada, pode ser aplicada em pessoas a partir dos 12 meses que ainda não tenham sido imunizadas e é considerada a principal forma de prevenção. No SUS, o imunizante faz parte do calendário infantil, com dose aplicada aos 15 meses de idade. Já a hepatite B conta com vacina gratuita para qualquer pessoa não vacinada. Em adultos, o esquema padrão é de três doses, distribuídas ao longo de seis meses.
Outra recomendação importante envolve a proteção contra tétano, difteria e coqueluche. A vacina dupla adulto (dT) deve ser reforçada a cada dez anos, ou a cada cinco anos em caso de ferimentos graves. Segundo especialistas, o risco de exposição ao tétano aumenta com o avanço da idade, especialmente em situações cotidianas como pequenos cortes, acidentes domésticos ou atividades como jardinagem. Há ainda a opção da dTpa, que inclui proteção contra a coqueluche, doença mais frequente no verão e que, em adultos, pode provocar tosse intensa e prolongada. O reforço é indicado principalmente para profissionais de saúde e pessoas que convivem com bebês.
A vacina contra a influenza deve ser aplicada anualmente, em dose única, devido às constantes mutações do vírus. No SUS, a imunização é destinada a grupos prioritários, como idosos, crianças pequenas, gestantes, profissionais da saúde e da educação, povos indígenas, pessoas com doenças crônicas, entre outros.
Adultos também devem manter atualizada a vacinação contra sarampo, rubéola e caxumba (tríplice viral). Apesar de o Brasil não registrar circulação endêmica do sarampo, o aumento de casos em outros países eleva o risco de reintrodução do vírus. O calendário prevê duas doses para pessoas até 29 anos e uma dose para adultos entre 30 e 59 anos sem comprovação vacinal.
Em relação à dengue, o SUS oferece atualmente a vacina Qdenga apenas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Para adultos, o imunizante ainda não está disponível gratuitamente. Já a vacina contra herpes zoster, indicada para pessoas a partir de 50 anos, é oferecida somente na rede privada e ajuda a prevenir complicações como a neuralgia pós-herpética.
As vacinas contra meningite são indicadas para adultos apenas em situações de surto ou para grupos específicos definidos pela vigilância epidemiológica. A pneumocócica, que protege contra pneumonia, é recomendada a partir dos 60 anos, mas não está disponível no SUS para idosos saudáveis. O vírus sincicial respiratório (VSR) conta com vacina na rede privada para idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, enquanto no SUS o imunizante é aplicado apenas em gestantes a partir da 28ª semana.
A vacina contra a febre amarela segue sendo essencial para quem vive ou viaja pelo Brasil, país considerado endêmico. Para adultos, o esquema é de dose única e está disponível na rede pública. Já a imunização contra a Covid-19 permanece indicada para grupos prioritários, incluindo idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.
Por fim, a vacina contra o HPV é recomendada para adolescentes e adultos de até 45 anos, por proteger contra vírus associados a diversos tipos de câncer e contra verrugas genitais, reforçando a importância da prevenção ao longo da vida adulta. Com informações da Folha de S. Paulo.