Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home Política Além da posse de Rivaldo Barbosa para a chefia da Polícia Civil do Rio um dia antes do assassinato de Marielle, a atuação de um promotor de Justiça também teria atrapalhado o esclarecimento do caso

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A Polícia Federal (PF) apontou que houve um esquema de sabotagem para impedir o esclarecimento do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes por parte dos órgãos de investigação do Rio de Janeiro.

No relatório, a PF listou uma sequência de três “coincidências”. São elas: a posse de Rivaldo Barbosa para a chefia da Polícia Civil do Rio um dia antes do assassinato da vereadora; a nomeação de Giniton Lages para a delegacia de Homicídios do Rio (DH) no dia seguinte ao crime; e a atuação do promotor de Justiça do Rio de Janeiro Homero de Neves Freitas Filho, que, segundo os investigadores, tinha um histórico de “conduta omissiva” em relação a apurações contra integrantes da DH.

Segundo a PF, a investigação do caso Marielle foi “talhada para ser natimorta”. Barbosa foi alvo de mandado de prisão preventiva em operação deflagrada no domingo (24). Lages foi alvo de mandado de busca e apreensão. Em março de 2018, recém-empossado no cargo, Barbosa indicou Lages para a delegacia encarregada de solucionar o caso.

Para os investigadores, a sabotagem começou “no momento mais sensível da apuração do crime, as horas de ouro”, o que acabou levando à perda de provas importantes, como as imagens dos imóveis vizinhos onde Marielle foi executada.

A PF também destacou a “conduta omissiva” do promotor de Justiça Homero de Neves Freitas, que começou a apuração do caso pelo Ministério Público. Ele já era alvo em outros processos que o investigavam por omissão em relação a desmandos cometidos pela Delegacia de Homicídios durante a gestão de Barbosa.

“A conduta omissiva de Homero enquanto membro do Ministério Público do Rio de Janeiro não é novidade”, diz a PF. Segundo o relatório, as investigações só começaram a avançar “com a saída de Homero” e a entrada do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio.

“Diante de todo esse contexto, é evidente que estamos diante de um típico caso de ‘Cold Case’, calcado na sabotagem dos trabalhos investigativos pelo aparato responsável pela apuração dos homicídios no Rio de Janeiro, de modo que resta à persecução penal hodiernamente a busca por meios de prova que não sejam triviais para a tentativa de identificação de demais autores e partícipes como, por exemplo, as colaborações premiadas entabuladas e a tentativa de sua corroboração por elementos de convicção, ainda que indiciários”, diz o relatório da PF.

O promotor de Justiça aposentado disse que ao longo do 26 anos de carreira sempre foi um promotor ativo e diligente e que os inquéritos citados no relatório até hoje não foram concluídos, com a punição dos autores dos crimes, o que por si só já demonstra que não houve falta de zelo de sua parte, nem dos outros colegas que o substituíram, e sim a grande dificuldade das investigações.

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