Sábado, 18 de Maio de 2024

Home em foco Alerta para risco de desastre nuclear na Ucrânia gera temor internacional

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Em meio a constantes bombardeios na região da usina de Zaporizhia e trocas de acusação entre Rússia e Ucrânia pela responsabilidade dos ataques, a comunidade internacional teme por um eventual desastre nuclear.

As tropas russas tomaram o controle do complexo nuclear em meados de março, mas a usina continuou sendo operada por técnicos ucranianos. O Ministério da Defesa russo revelou na última semana que considera fechar a usina, provocando um alerta da agência nuclear estatal ucraniana de que isso poderia resultar em uma catástrofe.

A “evolução negativa” da central pode fazer a Rússia ‘colocar a 5ª e 6ª centrais’ na ‘reserva fria’, o que levaria ao encerramento da central nuclear de Zaporizhia”, disse o ministério em comunicado, culpando a Ucrânia por bombardear o local.

As autoridades ucranianas negam que tenham tido responsabilidade e culpam os russos pelos ataques que danificaram o complexo. A Energoatom, empresa de energia nuclear estatal ucraniana, disse que a perspectiva de fechar a usina aproximaria “o cenário de um desastre de radiação”.

Isso porque um colapso no fornecimento de energia interromperia o resfriamento da água das barras de combustível da usina. Sem energia de rede, geradores a diesel de reserva entrariam em ação. Se eles falhassem, teríamos “uma situação mais séria”, disseram autoridades ocidentais.

Apelos

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou em conversa com Vladimir Putin estar preocupado com os riscos de segurança na região, segundo informou o governo francês.

Ainda de acordo com a administração federal, o presidente russo concordou em enviar uma missão de especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para Zaporizhia.

Mikhail Ulyanov, representante da Rússia em Viena, na Áustria, afirmou que uma delegação da AIEA poderia visitar a usina nuclear no início de setembro.

“Quando a missão pode acontecer, as previsões nem sempre são atendidas, mas, de acordo com meus sentimentos, podemos falar de forma bastante realista dos primeiros dias de setembro, a menos que alguns fatores fora dos objetivos ressurgirem”, disse Ulyanov.

Recentemente, uma declaração conjunta da União Europeia e outros 42 países, incluindo os Estados Unidos, pediu à Rússia que retirasse suas forças da usina.

No início de agosto, a AIEA chegou a alertar que partes da usina foram afetadas devido a ataques recentes, arriscando um potencial vazamento de radiação “inaceitável”. Também no começo do mês, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, pediu liberação para que inspetores internacionais tenham acesso a Zaporizhia.

“Qualquer ataque a uma usina nuclear é uma coisa suicida”, disse Guterres em entrevista coletiva no Japão, onde participava da Cerimônia do Memorial da Paz de Hiroshima para lembrar o 77º aniversário do primeiro bombardeio atômico do mundo.

Reações

Diante das incertezas que permeiam a situação na usina, um alto funcionário da defesa dos Estados Unidos criticou o papel da Rússia em relação à segurança das instalações nucleares da Ucrânia, afirmando que suas ações na região são “o auge da irresponsabilidade”.

“Esta é uma situação que o governo dos EUA em todo o conselho e a comunidade de segurança nacional estão observando muito, muito de perto. Estamos muito preocupados com operações militares dentro ou perto de qualquer uma das instalações de energia nuclear da Ucrânia e muito preocupados com qualquer relato de danos especificamente às linhas de energia Zaporizhia”, disse o funcionário.

Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, informou que discutirá a questão com Putin depois de ter conversado com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na cidade de Lviv.

“Discutiremos este assunto com o Putin, e pediremos especificamente a ele que a Rússia faça sua parte nesse sentido como um passo importante para a paz mundial”, disse Erdogan.

Chernobyl

Apesar de a possibilidade de um desastre nuclear remeter a Chernobyl, especialistas afirmam que é improvável que o acidente de 1986 se repita em Zaporizhia.

O presidente da Sociedade Nuclear Europeia, Leon Cizelj, acredita não ser muito provável que ela sofra danos. “Se usarmos a experiência passada, Fukushima pode ser uma comparação do pior cenário”, acrescentou Cizelj. Isso porque, apesar de grave, os danos causados pelo colapso na cidade japonesa em 2011 foram mais localizados.

Segundo especialistas, o pior cenário seria uma falha dos sistemas de segurança da usina, fazendo com que o reator nuclear aquecesse rapidamente.

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