Terça-feira, 26 de Maio de 2026

Home Política Alexandre de Moraes autorizou metade dos pedidos de visita a Bolsonaro

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Relator das investigações da trama golpista, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou, até agora, 34 dos 64 pedidos de visita a Jair Bolsonaro. A lista de quem ganhou aval de Moraes para se encontrar com o ex-presidente, em prisão domiciliar desde o último dia 4, inclui o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e os deputados federais Altineu Côrtes (PL-RJ) e Zucco (PL-RS), além de parentes e profissionais responsáveis pelos cuidados médicos e pela segurança de Bolsonaro.

O levantamento feito pela equipe da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, com base nas petições protocoladas no Supremo constatou que parte dos 30 pedidos que não foram autorizados já foram negados ou desconsiderados pelo ministro, sob a justificativa de não terem sido formalmente apresentados pela defesa de Bolsonaro, e sim pelos próprios interessados. Outra parte ainda não foi analisada, como é o caso das solicitações feitas na última quarta-feira (13) pelo senador Jorge Seif (PL-SC) e pelos deputados federais Osmar Terra (PL-RS) e Marco Feliciano (PL-SP).

Bolsonaro é um dos réus na ação penal do chamado “núcleo crucial” da trama golpista, junto com o general Walter Braga Netto, o tenente-coronel Mauro Cid e outros cinco investigados, acusados de integrar uma organização criminosa com o plano de manter o ex-presidente no poder e impedir a posse de Lula.

“Pequeno poder”

“Virou uma palhaçada, um excesso de autoridade. Ou você autoriza todos ou nenhum. É a síndrome do pequeno poder”, reclama um aliado de Bolsonaro ouvido reservadamente pelo blog.

No entorno bolsonarista, há a desconfiança de que Moraes tem facilitado a visita de políticos considerados “moderados”, como Tarcísio, e dificultado a ida de parlamentares mais “radicais”, como Magno Malta (PL-ES) e André Fernandes (PL-CE), alvo de um inquérito no STF sob a acusação de usar as redes sociais para incitar os atos golpistas de 8 de Janeiro.

Mas o ministro também já autorizou a ida da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), integrante da tropa de choque bolsonarista que participou do motim que inviabilizou os trabalhos na Câmara dos Deputados na semana passada.

Critério

Em decisão assinada no último dia 12, Moraes permitiu as visitas do senador Rogério Marinho (PL-RN), do deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), do vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Augusto Mello Araújo (PL), e do deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos-SP) – que haviam sido solicitadas pela defesa do ex-presidente. E deixou claro os seus critérios sobre a análise.

“O interesse do requerido (Jair Bolsonaro) em receber determinadas visitas vem sendo demonstrado por intermédio de petições de sua defesa solicitando autorização do juízo. Dessa maneira, julgo prejudicado os demais pedidos avulsos de solicitação de visitas realizados por terceiros, tanto por petições, quanto por e-mails, sem qualquer abono da própria defesa”, escreveu Moraes.

Na prática, isso significa que Moraes só vai levar em conta os pleitos dos advogados de Bolsonaro – os demais serão automaticamente descartados.

O STF esclareceu que “todos os pedidos, exceto os da defesa do próprio réu, foram considerados prejudicados e não serão analisados”.

Valdemar 

Nas petições apresentadas ao STF, os aliados de Bolsonaro alegam, de forma geral, que pretendem fazer uma “visita institucional e humanitária”. Também argumentam serem “colegas de partido” e amigos de longa data do ex-presidente, que ainda desempenha um papel público de “relevância” na condição de ex-chefe de Estado.

Até agora, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, não recebeu aval para visitar o ex-presidente no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, a 10km do Congresso Nacional.

O próprio Bolsonaro já pediu ao ministro permissão para receber Valdemar em sua casa, mas ainda não teve resposta. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)

 

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