Quarta-feira, 24 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de junho de 2026
Aliados de Jair Bolsonaro apostam que o ex-presidente conseguirá a prorrogação da prisão domiciliar. A avaliação é sustentada pelo fato de o quadro de saúde de Bolsonaro, determinante para a concessão da medida, não ter mudado nos últimos meses.
Os advogados apresentarão laudos médicos para comprovar o estado de saúde e para tentar emplacar a necessidade da manutenção do regime.
Concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito do caso da trama golpista, a prisão domiciliar chega ao fim do prazo inicial de 90 dias nesta quinta-feira (25).
A defesa de Bolsonaro deve solicitar a prorrogação após o depoimento do ex-presidente à Polícia Civil do Distrito Federal sobre uma arma registrada em seu nome e apreendida em uma blitz na semana passada.
Esse episódio preocupa interlocutores de Bolsonaro, que avaliam que poderia representar um obstáculo para a extensão do benefício.
Pena
O ex-presidente cumpre uma condenação de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e comando de organização criminosa.
Antes de receber o direito ao regime domiciliar temporário, ele estava preso no 19° Batalhão da Polícia Militar, ala conhecida como “Papudinha”, localizada dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Nesses 90 dias de prisão domiciliar, Bolsonaro operou o ombro direito no dia 1º de maio, no Hospital DF Star em Brasília. A cirurgia durou cerca de 5 horas e ocorreu sem complicações.
Em outro momento, pediu autorização para a entrada de técnicos responsáveis pela manutenção de um elevador em sua residência. Dias depois, pediu para receber a funcionária de um cartório e até um cabelereiro.
Ao conceder a medida em março, o ministro limitou contatos políticos de Bolsonaro, restringindo as visitas a familiares, advogados e médicos. Moraes pode prorrogar a prisão domiciliar do ex-presidente para evitar articulação política antes das eleições.
Com o encerramento do prazo fixado, a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a defesa do ex-presidente devem se manifestar antes da palavra final de Moraes.
O ministro poderá optar por alguns caminhos principais: a prorrogação do recolhimento domiciliar por igual período, a revogação da medida, mantendo apenas restrições mais brandas, ou o agravamento das sanções.
Moraes também deve exigir uma nova perícia médica oficial para embasar a decisão. A defesa de Bolsonaro já sinalizou que pedirá ao STF a prorrogação do prazo devido à persistência e agravamento de seus problemas de saúde.
Entretanto, a arma encontrada em blitz na semana passada também pode influenciar decisão de Moraes sobre o assunto.
Relatórios médicos semanais enviados ao Supremo apontam que, nos últimos dias, o ex-presidente sofreu uma piora considerável em crises de soluço crônico, necessitando de doses extras de medicamentos que atingiram o limite terapêutico de segurança. (Com informações da revista Veja e do porta R7)