Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026

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O grupo investigado por planejar atentados terroristas em Brasília durante o período eleitoral mantinha mapas e plantas arquitetônicas de prédios públicos da capital federal, incluindo o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e ministérios. Segundo as investigações, os integrantes também discutiam a produção de explosivos, coquetéis Molotov e outros artefatos que poderiam ser utilizados em ações violentas.

As informações foram apresentadas no domingo (9), em reportagem do Fantástico, da TV Globo, com base no monitoramento realizado pelo Ministério da Justiça. De acordo com os dados obtidos pela investigação, o grupo não demonstrava apoio específico a partidos ou candidatos. Os integrantes se apresentavam como apartidários e defendiam a ideia de promover uma espécie de “revolução”.

As comunicações entre os suspeitos ocorriam principalmente por meio de dois grupos no aplicativo Telegram. Nas conversas, eram discutidas estratégias para a realização de ataques, a escolha de possíveis alvos e a invasão de prédios públicos. Entre os planos identificados pelos investigadores estava a possibilidade de atacar o local onde os candidatos eleitos no segundo turno das eleições participariam de um debate.

O grupo também teria discutido maneiras de produzir explosivos e outros dispositivos destinados a ações violentas. Segundo as investigações, os integrantes compartilhavam materiais com instruções para a fabricação dos artefatos e analisavam informações sobre a estrutura e a localização de prédios que poderiam ser escolhidos como alvos.

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, no dia 4 deste mês, a Operação Rede Interrompida para desarticular o grupo. A ação foi conduzida pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCEV), unidade especializada da corporação na investigação de ameaças extremistas.

Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra oito investigados. Os alvos têm entre 19 e 31 anos e foram localizados em cinco Estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

De acordo com a investigação, os suspeitos mantinham comunidades virtuais utilizadas para disseminar conteúdos extremistas e para organizar as ações que estavam sendo planejadas. Além das discussões sobre possíveis ataques, os integrantes compartilhavam materiais relacionados à fabricação de explosivos, técnicas de recrutamento e estratégias de atuação.

As autoridades também identificaram a circulação de conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos nos grupos. Entre os alvos dos discursos de ódio estavam mulheres que ocupam posições de autoridade.

A investigação aponta ainda que o grupo buscava ampliar sua estrutura por meio do recrutamento de pessoas de diferentes Estados. As conversas analisadas pelos investigadores continham referências à formação tática dos integrantes, à escolha de alvos e ao planejamento de ações coordenadas.

A análise das comunicações também revelou o compartilhamento de mapas e plantas arquitetônicas de edifícios públicos de Brasília. O material, segundo os investigadores, era utilizado para estudar a estrutura dos locais e avaliar possíveis estratégias de invasão ou ataque.

A operação realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal teve como objetivo interromper a organização antes que os planos discutidos nas plataformas digitais pudessem ser executados. Os investigadores seguem analisando o material apreendido para identificar a extensão da atuação do grupo, possíveis novos integrantes e outros planos que tenham sido discutidos pelos suspeitos.

As apurações também deverão esclarecer a participação individual de cada investigado e o grau de envolvimento nas ações planejadas. A investigação considera as comunicações trocadas pelos integrantes, os materiais encontrados durante o cumprimento dos mandados e as informações obtidas pelo monitoramento das atividades do grupo.

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