Domingo, 18 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de outubro de 2026
A aprovação, pelo Congresso Nacional, de propostas com caráter popular apresentadas pelo governo, como o fim da escala 6×1 e o aumento do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), tem sido minimizada por aliados do candidato da oposição ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL). Esses aliados acreditam que as medidas não terão impacto na campanha e na opinião do eleitorado.
A leitura do núcleo duro bolsonarista é que os eleitores percebem as medidas como “desespero” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, e que as propostas não convertem votos de indecisos para o petista, que já teria um eleitorado muito cristalizado.
Quadros expressivos do PL também modularam o discurso para satisfazer os eleitores de Flávio e aqueles que têm resistência a Lula. Mesmo com o candidato do PL votando no Senado a favor do fim da escala 6×1, eles têm defendido que a medida terá efeitos sobre as empresas, que serão repassados à população. Também dizem que as propostas visando os MEIs foram oportunistas, já que o governo não atendeu o pleito do segmento antes.
Na quinta-feira (15), Flávio ressaltou que, mesmo após a série de benesses do governo, ele próprio manteve a dianteira na pesquisa Datafolha. “Se a gente está na frente no Datafolha, pode ter certeza que é muito mais na frente – e mesmo com essas promessas vazias e mentirosas que o Lula está fazendo, em um desespero total para tentar enganar tanta gente com coisas que a gente sabe que ele não vai entregar”, declarou em live nas redes sociais.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 foi aprovada na quarta-feira (14) pelo Senado. Já o projeto do governo que prevê o perdão para cerca de 3,6 milhões de MEIs na dívida ativa da União e aumenta o limite de faturamento passou rapidamente pela Câmara dos Deputados e do Senado esta semana.
Segundo fontes do PL, os levantamentos internos contratados pela sigla apontam que as pesquisas “estancaram”, e Flávio tem mantido a liderança para o segundo turno, apesar da ofensiva de Lula, que também se reorganizou nas redes e nas ruas.
Em relação à escala 6×1, o próprio candidato do PL foi obrigado a mudar o discurso sobre a redução da jornada e a votar favoravelmente à PEC. O senador vinha defendendo um modelo diferente da PEC do governo e criticava a proposta. O discurso anterior era em defesa de um texto alternativo que previa, entre outros pontos, remuneração proporcional por hora trabalhada, e liberdade para que trabalhadores e empregadores negociassem a jornada de trabalho.
“Estou rodando o Brasil, e a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da escala 6×1”, disse antes da votação.
Fontes próximas à campanha viram a estratégia de Flávio de declarar voto favorável à PEC do fim da escala 6×1 como “acertada” e de “contenção de danos”. Para elas, a matéria não deve ser decisiva na busca de Lula para virar votos, mas, caso o candidato bolsonarista votasse contra o texto, ele poderia ter dificuldades de sustentar o discurso de que se preocupa com o trabalhador.
Outro temor era que eventual voto contra o fim da escala 6×1 inflamasse as mobilizações da esquerda, na esteira da que reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista no fim de semana. Aliados de Flávio reconhecem que a direita bolsonarista está mais dispersa nesta eleição, diferentemente do que acontecia quando Jair Bolsonaro era candidato.
Após a aprovação do fim da escala 6×1, Flávio afirmou que será necessário estabelecer compensações para as empresas e acusou o governo Lula de provocar o endividamento das famílias e dificuldades financeiras para os empresários.
Já em relação ao pacote de Lula que mira os microempreendedores, Flávio criticou o momento da proposta, atribuindo caráter eleitoreiro. “Ele (Lula) anuncia, achando que pode comprar os MEIs. Tudo a 12 dias das eleições. Por que não fez em quatro anos?”, criticou.
Durante as votações das propostas, parlamentares de partidos de direita aliados de Flávio, como os do partido Novo, acusaram o governo de populismo e de não ouvir o setor produtivo até poucos dias antes da eleição. Deputados do PL, no entanto, evitaram críticas vocais ou se posicionar contra a proposta, diante do caráter popular e dos potenciais efeitos eleitorais das medidas.
A orientação era de cautela com os discursos, que deveriam ser focados no caráter eleitoreiro, devido ao momento em que os projetos foram apresentados pelo presidente, mas sem fazer críticas diretas ao teor das propostas. O discurso bolsonarista foi no sentido de tentar atrelar o pacote de bondades de Lula como um instrumento para “enganar” o povo. (Com informações do Valor Econômico)