Sábado, 01 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de julho de 2026
Com o rápido processo de envelhecimento da população em curso no Brasil, essa fatia de consumidores desperta cada vez mais o interesse das empresas. Mas boa parte dos produtos e serviços oferecidos nesse nicho de mercado tem custo elevado, sobe acima da inflação e é mais difícil de ser substituída, tornando os idosos e suas famílias mais sensíveis aos preços.
Despesas com alimentação, habitação e saúde são as de maior impacto no orçamento dos mais velhos, como mostra o IPC-3i, índice de inflação do FGV Ibre voltado para famílias compostas majoritariamente por pessoas com mais de 60 anos. Dependendo da composição da cesta de compras, o consumidor mais velho pode nem sentir um eventual alívio nos preços.
Em junho, por exemplo, a alimentação teve queda de 0,24% no IPCA, índice oficial de inflação no país. Já no IPC-3i, o mesmo grupo de produtos subiu 0,56%. No acumulado em 12 meses, os preços de itens alimentícios cresceram 4,81% para a terceira idade. O avanço do IPCA foi mais modesto: 3,82%.
“Alimentos para proteção da saúde, como laticínios, de um modo geral, que combatem a osteoporose, alimentos in natura, como frutas e verduras, são muito demandados (pelos idosos), então têm um peso maior”, explica André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre.
Mais gastos em casa
Outros exemplos de despesas que pesam mais no orçamento dos 60+ são plano de saúde, medicamentos, empregados domésticos e serviços como táxi e carro por aplicativo. Consumo de gás e energia tendem a pesar mais com a troca da rotina no trabalho por mais tempo em casa, com o uso mais intensivo de eletrodomésticos, do fogão ao ar-condicionado.
Não é incomum que, com mais desses itens na cesta de consumo média da terceira idade, o IPC-3i como um todo seja mais alto que o IPCA, indicando um peso maior da inflação para esse grupo. Em junho, por exemplo, o IPC-3i cheio foi de 0,38%, ante alta de 0,16% no IPCA.
“Toda aposentadoria do INSS acima do mínimo é corrigida só pela inflação passada. E a gente sabe que as principais despesas do idoso sobem mais do que a inflação passada. Então ele acaba vendo a inflação gradualmente comer seu poder aquisitivo”, avalia Braz.
Especialistas ponderam que os índices ainda não capturam todas as despesas que cresceram com a aceleração do envelhecimento da população nos últimos anos, como os serviços de cuidadores e outras atividades voltadas a esse segmento, cujo peso na cesta de consumo considerada nas sondagens nem sempre acompanha a velocidade das mudanças nos lares.
Plano de saúde
A saúde é mesmo uma área do consumo cuja alta do custo é praticamente inevitável para quem vive mais. O estudo Economia Prateada no Brasil, da consultoria Data8, mostrou que, em 2024, mais de um terço (35%) do consumo de produtos e serviços de saúde no país veio de pessoas com 50 anos ou mais. Até 2034, essa proporção deve subir para 43%.
Na cesta de consumo dos que têm menos de 50, assistência à saúde soma 8%. O percentual sobe conforme a idade avança: entre 60 e 64 anos, responde por 14% do orçamento; de 70 a 74, por 18%; e acima dos 80, chega a 21%, mais de um quinto dos gastos, em média.
“O ponto central é que muitos desses gastos não são escolhas de consumo. São condições básicas para envelhecer com qualidade de vida, autonomia e dignidade”, diz Layla Vallias, cofundadora do Data8 e uma das coordenadoras da pesquisa. (As informações são de O Globo)