Sábado, 01 de Agosto de 2026

Home Saúde Anvisa alerta: soroterapia não tem benefícios conprovados para pessoas saudáveis

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A soroterapia voltou a ganhar destaque nas redes sociais após a aplicação pela influenciadora Virginia Fonseca e pelo atacante Vinícius Júnior, ambos nos Estados Unidos. Para médicos, o soro anunciado como milagroso por clínicas e famosos é propaganda enganosa e com riscos à saúde.

A terapia consiste na aplicação de vitaminas, minerais e suplementação diretamente na veia do paciente. No Brasil, foi apelidada de “soro da beleza” ou “soro da imunidade” e é divulgada com uma série de promessas: melhora da insônia e da aparência, mais energia e menos estresse. O procedimento virou moda com a ajuda de influenciadores, mas os especialistas contestam os benefícios anunciados.

Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez Duarte, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), há uma diferença importante entre a aplicação feita no exterior e a que se popularizou por aqui. “Particularmente nos Estados Unidos, aqueles estabelecimentos de infusão, onde se colocam quantidades muito pequenas de nutrientes, se faz lá nesses estabelecimentos, mas aqui no Brasil eles não só não devem como eles não podem existir”, afirma.

No país, a aplicação intravenosa de nutrientes só é permitida em casos específicos — como pacientes que passaram por cirurgia e têm dificuldade de absorver nutrientes — e sempre em ambiente hospitalar. As clínicas que oferecem o “soro da beleza” para fins estéticos são consideradas irregulares. É justamente essa distinção que separa a soroterapia estética da suplementação injetável, esta permitida e indicada apenas em situações médicas definidas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a soroterapia não conta com comprovação clínico-científica consistente de segurança e eficácia, e a reposição de vitaminas só é recomendada em casos de deficiência, quando não há melhora pela via oral.

Composição

Não existe uma fórmula única do coquetel, mas geralmente as clínicas utilizam combinações de vitamina C, vitaminas do complexo B, magnésio, zinco, aminoácidos, glutationa e outros compostos diluídos em soro fisiológico ou glicosado.

A composição, porém, varia de um estabelecimento para outro. E, para o cirurgião do aparelho digestivo, Rodrigo Barbosa, essa falta de padronização é justamente um dos principais pontos de atenção.

“Não existe uma fórmula única, e isso já diz muito. Protocolo sério não nasce de um cardápio na parede, onde o cliente escolhe pela queixa. Ele nasce de um exame que mostra uma deficiência real. Se a fórmula muda conforme o marketing e não conforme o exame do paciente, isso não é medicina, é catálogo”, defende o médico.

Riscos

Apesar de parecer um procedimento simples, especialistas lembram que qualquer acesso venoso envolve riscos que incluem: dor, hematomas, flebite, infecções, extravasamento da solução, reações alérgicas, alterações da pressão arterial, distúrbios dos eletrólitos, lesão renal, arritmias e sobrecarga de líquidos, especialmente em pessoas com doenças cardíacas ou renais.

Outro ponto pouco conhecido é que vitaminas também podem fazer mal quando administradas em excesso, sem contar que há o risco de estes componentes interagirem entre si ou com medicamentos de uso contínuo, podendo causar efeitos adversos, como náuseas, tontura, cefaleia, queda ou elevação da pressão arterial, arritmias, lesões renais, alterações hepáticas ou neurológicas. (Com informações de O Globo, gshow e portal Band)

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