Sábado, 15 de Agosto de 2026

Home Economia Alta do PIB brasileiro acima de 2% se torna mais difícil em 2026

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Economistas afirmam que a possibilidade de o PIB (Produto Interno Bruto) crescer acima de 2% no Brasil em 2026, como preveem o Ministério da Fazenda e o FMI (Fundo Monetário Internacional), ficou mais difícil e parece menos provável no momento.

A avaliação ocorre após a divulgação dos resultados mais recentes de varejo, serviços e indústria. Para os analistas, parte das atividades que compõem esses setores mostrou novos sinais de perda de ritmo sob impacto dos juros altos para conter a inflação.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou na quinta-feira (13) que o volume de vendas do varejo cresceu 0,5% em junho frente ao mês anterior, após leve variação positiva em maio (0,3%) e queda de mais de 1% em abril (-1,5%).

Já o varejo ampliado, que inclui atividades de veículos, material de construção e atacado de produtos alimentícios, teve baixa de 1% em junho. Foi o quarto mês consecutivo de taxas negativas.

Ainda de acordo com o IBGE, o setor de serviços ficou estável em junho (0%), após ter registrado leve recuo em maio (-0,2%), enquanto a produção industrial caiu 1,8% no sexto mês do ano. As fábricas tiveram o segundo resultado negativo em sequência.

O IBGE divulgou os dados de serviços na quarta-feira (12) e da indústria na primeira semana de agosto.

“Os juros começam a ter o seu efeito esperado. Era natural que a economia começasse a desacelerar com mais intensidade. Isso reforça a ideia de que PIB acima de 2% este ano está ficando cada vez mais difícil”, afirma o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.

Ele prevê alta de 1,7% para o indicador em 2026. “Para um crescimento acima de 2%, precisaríamos ver uma aceleração da economia ao longo do ano. Não é o cenário que a gente está vendo no segundo trimestre e definitivamente não é o mais provável até o final do ano”, acrescenta.

Na mediana, as projeções do mercado financeiro indicam expansão de 1,98% para o PIB em 2026, conforme o boletim Focus mais recente, divulgado na segunda (10) pelo BC (Banco Central). A estimativa teve leve recuo frente à semana anterior (1,99%).

Em 2025, o PIB cresceu 2,3%. É a mesma taxa prevista pelo Ministério da Fazenda para o indicador em 2026. A projeção de 2,3% foi mantida pela pasta em julho. O FMI, por sua vez, passou a projetar no mês passado expansão de 2,4% para o Brasil neste ano.

Na avaliação do economista André Valério, do banco Inter, é “pouco provável” que o crescimento se sustente acima de 2% em 2026. O Inter prevê alta de 1,8% para o ano e de 0,5% para o segundo trimestre em relação ao primeiro.

Nos três meses iniciais de 2026, a economia cresceu 1,1% com auxílio da safra. O PIB do segundo trimestre será divulgado pelo IBGE em 1º de setembro.

“A gente vê sinais cada vez mais claros de perda de dinamismo (da atividade econômica), mesmo com todas as medidas que o governo implementou ao longo deste ano de incentivo fiscal”, diz Valério.

Caso as projeções dos analistas se confirmem, 2026 será o primeiro ano com variação do PIB inferior a 2% desde 2020, quando a economia amargou queda de 3,3% sob efeito da pandemia.

O economista Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, avalia que a desaceleração da economia ficou mais “homogênea” nos últimos meses, ao aparecer em diferentes atividades.

O movimento, diz, é esperado devido ao aperto dos juros e ao efeito da base de comparação elevada dos últimos anos.

Por ora, a Buysidebrazil tem uma previsão de alta de 1,9% para o PIB de 2026 e de variação positiva de 0,1% para o segundo trimestre frente ao primeiro, conforme Sartori.

“É natural que a gente veja uma desaceleração. É saudável que isso aconteça, porque, se a economia continuasse crescendo no mesmo ritmo em que estava, provavelmente a gente teria (mais) inflação.”

No início de agosto, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros para 14% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez seguida.

O colegiado do BC, porém, disse que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para frear a economia.

Ao comentar os dados do varejo divulgados pelo IBGE, o economista Alexandre Maluf, da XP, afirmou em relatório que o consumo das famílias perdeu fôlego no segundo trimestre, após um primeiro trimestre “forte”.

Isso, conforme Maluf, é “consistente” com a visão de desaceleração gradual da demanda doméstica ao longo de 2026.

O economista disse que a renda segue em trajetória de alta e que as medidas de estímulos do governo devem continuar sustentando o consumo no curto prazo, mas há um contraste com a política de juros e o endividamento das famílias, que pesam sobre atividades sensíveis ao crédito.

A XP espera que o PIB cresça 2% em 2026 e 1% em 2027. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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