Terça-feira, 25 de Junho de 2024

Home Política “América Latina deve reagir” se houver tentativa de golpe no Brasil, diz presidente do Chile

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Poucos dias após o presidente Jair Bolsonaro dizer durante o debate presidencial de domingo (28) que seu colega chileno Gabriel Boric tinha “colocado fogo em metrô lá no Chile”, a relação entre os dois líderes ficou ainda mais distante.

Em declarações à revista Time, publicada nesta quarta-feira (31), Boric disse que foi “esperança” ver o manifesto pela democracia no Brasil e que a América Latina deveria se unir em caso de o resultado eleitoral não ser aceito, evitando assim um “golpe” como o que, na sua visão, ocorreu na Bolívia em 2020.

A revista deu destaque a Boric, de 36 anos, em sua capa com o título “The new guard” (“A nova guarda”, em tradução livre).

Presidente mais novo da história chilena, e ex-líder estudantil, ele elogiou o recente manifesto a favor da democracia no Brasil contra da possibilidade de Bolsonaro questionar o resultado eleitoral.

A pergunta da Time foi: “Neste momento, se fala muito sobre o que acontecerá no Brasil, caso o presidente Jair Bolsonaro não aceite os resultados das eleições de outubro. O que o senhor faria para apoiar a democracia brasileira, se isso acontecesse?”.

Boric respondeu: “Gerou esperanças ver a ‘Carta de São Paulo’ que teve um milhão de assinaturas a favor da democracia. Foi um sinal potente da sociedade civil brasileira. Se chegar a ocorrer uma tentativa, como ocorreu na Bolívia, quando acusaram fraude que não houve, e acabou sendo validado um golpe de Estado, a América Latina tem que reagir em conjunto para colaborar para impedi-lo”.

Na Bolívia, o então presidente e candidato Evo Morales denunciou ter sido alvo de “fraude” e de “golpe” nas eleições presidenciais de 2019. Morales contou com apoio público de líderes regionais, como o presidente Alberto Fernández e sua vice e ex-presidente Cristina Kirchner, da Argentina.

Acusação no debate

Nos bastidores do Itamaraty, comenta-se que a relação entre o Brasil e o Chile costumava ser baseada numa “agenda positiva”, que envolvia principalmente questões como o comércio bilateral e energias renováveis, sem os conflitos que costumam ser mais frequentes com a Argentina, pela maior intensidade política e econômica da relação.

Esse ambiente parece ser diferente a partir da posse do novo líder chileno, à qual Bolsonaro não compareceu, e desde as declarações do presidente brasileiro no debate do domingo.

“Lula apoiou o presidente do Chile também, o mesmo que praticava atos de tacar fogo em metrôs lá no Chile. Para onde está indo nosso Chile?”, disse Bolsonaro.

Ele fez as declarações quando citou outros países da América do Sul, governados por presidentes que demonstram simpatia pela eleição do ex-presidente Lula, como Alberto Fernández, da Argentina, Gustavo Petro, da Colômbia, e Nicolás Maduro, da Venezuela.

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