Quinta-feira, 20 de Agosto de 2026

Home Política Amiga de Lulinha diz que “sócio” do presidente do Tribunal Superior Eleitoral atuaria em contrato de cannabis com o governo federal

Compartilhe esta notícia:

Os diálogos da lobista Roberta Luchsinger, obtidos pela Polícia Federal (PF), apontam que ela queria obter 20% de lucro no negócio de cannabis medicinal que tentava vender ao governo federal em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As conversas ainda citam que também atuaria no contrato um advogado amigo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em trechos inéditos obtidos pelo Estadão, Roberta disse a um interlocutor que o advogado Otto Medeiros era “bem influente” e disse que ele seria “sócio do Cássio (sic)”, uma referência a Nunes Marques. As menções fazem parte dos inquéritos abertos no STF contra Roberta e Lulinha. De acordo com os documentos, o grupo de Roberta pediu formalmente ao escritório de Otto uma proposta para “prestação de serviços jurídicos” na venda de cannabis ao governo federal.

Nunes Marques negou ser sócio de Otto Medeiros, mas confirmou ser amigo dele. “O ministro Kassio Nunes Marques não é e nunca foi sócio do senhor Otto Medeiros em qualquer empreendimento. Os dois mantêm uma relação de amizade, porém o ministro se declara impedido nos processos em que o advogado atua no STF”, disse em nota.

Relatório da PF aponta que Roberta “aparentemente tinha autorização” para agir em nome de Lulinha. Para corroborar essa informação, a PF citou diálogo no qual ela afirmou a um interlocutor: “Eu sou o Fábio”.

A defesa de Lulinha não se manifestou. O Ministério da Saúde disse que “nunca houve possibilidade de contratar cannabidiol”. A defesa de Roberta afirmou que a divulgação de informações “não ajuda a investigação” e disse que o Ministério da Justiça deveria apurar os supostos vazamentos. Procurado, o advogado Otto Medeiros não quis se manifestar. A interlocutores, ele negou ter relação societária com Kassio Nunes Marques.

A irmã do ministro, Karine Nunes Marques, e o seu filho Kevin de Carvalho Marques são contratados para atuar em parceria com o escritório de Otto em alguns processos judiciais.

O advogado citado por Roberta já tinha uma relação anterior com Lulinha, que foi o responsável por apresentá-lo à lobista. Ele atuou em processos tributários para o filho do presidente e chegou até a emprestar a Lulinha uma aeronave particular para um voo de Brasília a São Paulo, como divulgou o jornal Folha de S.Paulo.

Trechos inéditos das conversas de Roberta e do relatório produzido pela PF foram obtidos pelo Estadão. A PF cita que a minuta de contrato feita por Roberta estipulava o seu lucro, que seria dividido entre outras pessoas. “Convém citar a forma de remuneração especificada na minuta do contrato, ou seja, no prazo de doze meses, 20% do faturamento da empresa relacionada à venda de subprodutos de cannabis para órgãos da administração pública”, apontou a PF.

A lobista tentou emplacar esse contrato com o Ministério da Saúde e chegou a compartilhar o documento com o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, o Marcola, para obter sua ajuda na intermediação do negócio. A conversa com Marcola, porém, não registrou o encaminhamento da minuta de contrato para outros órgãos do governo.

Roberta e Lulinha trabalhavam no projeto em parceria com o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, que abriu uma empresa para tentar atuar na área de cannabis medicinal. O projeto também teria como sócio o ex-assessor parlamentar Gustavo Gaspar. A PF identificou, em conversas de Roberta, que ela foi responsável por indicar o advogado Otto Medeiros ao Careca do INSS para o negócio de cannabis.

Em 15 de maio de 2024, Antônio Camilo enviou um e-mail ao escritório de Otto Medeiros solicitando a elaboração de uma proposta para a “prestação de serviços jurídicos” com foco na venda de cannabis medicinal ao governo federal.

Um dia depois desse e-mail, Roberta conversou com Gaspar sobre o formato da remuneração e a atuação de Otto no contrato. A PF cita que Roberta também conversou com Lulinha sobre a atuação do advogado.

Nas conversas, de acordo com a PF, Roberta demonstrava insatisfação com a possibilidade de que Otto definisse as formas de remuneração e a administração de parte dos recursos do contrato. (Com informações do colunista Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

A Polícia Federal demorou mais de sete meses para enviar ao ministro do Supremo André Mendonça os dados das quebras de sigilo de Lulinha
Mansão em Brasília era usada por Lulinha e amiga para reuniões
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News