Quinta-feira, 20 de Agosto de 2026

Home Política Lulinha tem 18 registros de entrada no Palácio do Planalto em um ano e meio

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Alvo da Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência no governo federal, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem 18 registros de entrada no Palácio do Planalto entre junho de 2023 e janeiro de 2025.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, disse que ele foi visitar o pai no Palácio do Planalto:

“Qual é o problema? Ele nunca tratou de nenhum tema nem participou de nenhuma reunião. Nada mais natural e saudável do que um filho visitar o pai.”

A PF investiga suspeitas envolvendo a relação de Lulinha com a empresária Roberta Luchsinger e com o ex-chefe de gabinete do petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) apuram se houve tráfico de influência em órgãos do governo.

A maior parte das entradas, 12, ocorreu em 2024. Três delas ocorreram em março — uma no dia 7 e duas no dia 20. Dois dias depois, no dia 22 daquele mês, segundo mensagem interceptada pela PF, Roberta comentou com o filho do presidente a expectativa que tinha com o andamento dos seus negócios.

“Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”. O filho do presidente respondeu em seguida: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.

Em outra mensagem no dia 22 e março de 2024, dois dias depois ter visitado o Planalto, Lulinha menciona em conversa com a Roberta reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e com o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa. Quando a conversa ocorreu, Marcola despachava no gabinete presidencial e cuidava da agenda do presidente com parlamentares, ministros e empresários.

Investigações

Roberta é apontada nas investigações da PF como lobista. Ela é dona da RL Consultoria e Intermediações, aberta em 2019 e sediada no apartamento onde mora, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Um dos contratos fechados por sua empresa foi com o empresário Antônio Carlos Antunes, o “Careca do INSS”, preso pela PF sob suspeita de desviar recursos de aposentadorias e pensões do INSS.

A empresária recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes em cinco parcelas de R$ 300 mil, de acordo com a investigação. O trabalho previa viabilizar a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde por uma empresa pertencente a Antunes, a World Cannabis, para que fosse disponibilizado no SUS. O negócio, contudo, não prosperou.

Uma mensagem de WhatsApp encontrada pela PF mostra que Marcola, então chefe de gabinete de Lula, recebeu uma minuta de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. O documento foi enviado por Roberta, que é amiga de Lulinha. Naquela época, ela tentava fazer negócio com a pasta, o que não ocorreu, em meio à eclosão do escândalo dos descontos indevidos no INSS.

Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o material, mas disse que não o encaminhou. A defesa da empresária afirmou que o processo está sob sigilo e não vai se manifestar.

A mensagem enviada por Roberta a Marcola consta em uma das investigações envolvendo a empresária e o filho do presidente que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Lulinha é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo. Uma das linhas seguidas pelos investigadores é a relação dele com a lobista. Mensagens também em poder da PF mostram que os dois tratavam de negócios: em um dos diálogos, Roberta diz a Lulinha que os dois trabalham em “outro nível” e que o futuro deles é a Suíça. Os dois negam ter praticado qualquer irregularidade.

A PF também descobriu que Roberta comprou duas joias que Marcola pediu para presentear familiares no Dia das Mães de 2024, conforme revelou Lauro Jardim. A investigação aponta que o ex-assessor enviou por WhatsApp a foto do modelo das peças, e Roberta pagou a fatura de R$ 9,2 mil. Ao longo de 2024, segundo o colunista, a empresária transferiu a ele um total de R$ 217 mil entre transferências bancárias, pagamentos de boletos e presentes.

A defesa do filho do presidente disse que “reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo”. Os advogados pontuaram ainda que solicitarão, “uma vez mais, rígidas apurações da nefasta instrumentalização de parte das nossas instituições por interesses políticos e eleitorais”. (Com informações do jornal O Globo)

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