Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2022

Home Mundo Angela, a mulher que definiu a Alemanha no início do século XXI

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Mulher, cientista, criada na antiga Alemanha comunista, Angela Dorothea Merkel sabe muito bem o que significa ser subestimada. Ninguém acreditava que ela poderia dirigir o destino da Alemanha, mas durante 16 anos propiciou ao país a estabilidade necessária — e, assim, converteu-se não só na sua figura mais poderosa, como também numa das mais influentes do mundo, o que levou a ser escolhida como Personagem Mundial de 2021 em votação da qual participaram os editores dos veículos do Grupo de Diários América (GDA).

Todas essas características que a tornaram a “improvável chanceler” alimentaram sua ascensão na política alemã. Filha de pastor luterano, Angela Merkel nasceu em Hamburgo em 17 de julho de 1954, mas ainda bebê mudou-se com a família para a cidade de Templin, no que foi a República Democrática Alemã, onde cresceu e passou sua juventude. Esse estágio a marcou com a autodisciplina e a força de vontade que a caracterizam.

Integrante da Juventude Alemã Livre, ela se casou com o físico Ulrich Merkel em 1977, de quem se divorciou cinco anos depois. Manteve o sobrenome mesmo depois de se casar novamente, em 1998, com o atual marido, Joachim Sauer, professor de química. Amante da ciência e também da música de Richard Wagner, Merkel estudou física na Universidade de Leipzig e obteve o doutorado em química quântica em Berlim. É daí que vem a meticulosidade com que age.

“Sou o tipo de pessoa que tende a observar primeiro uma situação para melhor avaliá-la. Ser reservada em determinados momentos é importante”, diria Merkel em 1991, quando acabava de ser nomeada ministra da Mulher e da Juventude no governo de Helmut Kohl, considerado o “pai da reunificação alemã”.

Kohl se tornou o mentor de Merkel na política. Costumavam chamá-la de “a garotinha do Kohl” — não como um elogio, mas como uma demonstração de que não era tão levada a sério. Sua aparência física despreocupada também era motivo de brincadeiras. Isso não parecia incomodá-la.

Em 1994, Merkel foi nomeada ministra do Meio Ambiente. Em 1998, a União Democrata Cristã (CDU) de Kohl sofreu uma grande derrota e ele foi substituído por Gerhard Schroeder. Um ano depois, Kohl estava atolado em um escândalo de financiamento do partido. Merkel teve que decidir entre a lealdade a Kohl e salvar a CDU da crise. Ela publicou um artigo intitulado “Kohl prejudicou o partido”. Nele, Merkel garantiu que era hora de continuar sem o ex-chanceler.

Poucos meses depois, em abril de 2000, Merkel se tornou a primeira mulher a liderar a CDU. Sua próxima oportunidade viria em 2005, quando Schroeder convocou uma eleição antecipada. A CDU e seu partido irmão na Baviera, a União Social Cristã (CSU), prevaleceram por um ponto percentual. E para descrença de muitos, Merkel virou chanceler em novembro.

Ela sabia que vencera por pouco e aprendeu a lição: “Serei tudo para todas as pessoas”. Principalmente, isso colocaria o povo alemão à frente de qualquer coisa.

“Calma, pragmática, coerente, motivada pela ajuda, orientada por valores”, Merkel deixou sua marca em mais de 16 anos de governo, diz Joyce Mushaben, autora do livro “Becoming madam chancellor: Angela Merkel and the Berlin Republic” (Tornando-se a senhora chanceler: Angela Merkel e a República de Berlim): “Com sua vida na Alemanha Oriental, ela aprendeu a ficar em silêncio, a esperar e processar as coisas.” Da vida de filha de pastor luterano, aprendeu a “ter valores”; de sua trajetória com a física, aprendeu a avaliar cada problema, separá-lo em partes. É por isso, garante Mushaben, que “ninguém pode copiar o seu estilo”.

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