Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 12 de janeiro de 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o uso do lenacapivir injetável ano para prevenção do HIV. O medicamento injetável seria uma opção adicional de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), uma alternativa eficaz e de longa duração às pílulas orais.
Segundo a Anvisa, ele é indicado para “adultos e adolescentes acima de 12 anos pesando pelo menos 35 kg que correm o risco de adquirir o HIV”. Os indivíduos devem testar negativo para a doença antes de fazer o uso do medicamento.
Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novas diretrizes recomendando o uso do lenacapavir como opção adicional de PrEP para a prevenção do HIV. A organização classificou o lenacapavir como a melhor opção após uma vacina. Em 2024, um estudo publicado na revista científica “New England Journal of Medicine (NEJM)” mostrou que o antirretroviral apresentou uma eficácia geral de 100% na prevenção do HIV em mulheres.
Em um estudo posterior feito ainda em 2024 com 3.265 pessoas de diferentes gêneros, apenas dois voluntários que fizeram uso do remédio contraíram a doença. A aprovação por parte da Anvisa segue uma recomendação da OMS de julho de 2025 para uso do lenacapavir duas vezes ao ano para prevenção do HIV.
“Embora ainda não tenhamos uma vacina contra o HIV, o lenacapavir é a melhor alternativa: um antirretroviral de longa ação que, em estudos clínicos, preveniu quase todas as infecções entre pessoas em risco”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.
As novas diretrizes surgem em um momento crítico, segundo a OMS, com a estagnação nos esforços de prevenção ao HIV no mundo. Ao todo, 1,3 milhão de novas infecções foram registradas no ano passado. Além do medicamento injetável, o órgão também passou a recomendar sejam utilizados testes rápidos para diagnóstico do HIV, eliminando procedimentos complexos e caros.
Em dados apresentados na 25ª conferência internacional sobre a Aids, que aconteceu em Munique, na Alemanha, em 2024, e publicados no NEJM, Gilead Sciences mostrou que o antirretroviral lenacapavir tem uma eficácia geral de 100% na prevenção da infecção pelo HIV-1 – responsável por quase todas as infecções de HIV no mundo.
Segundo a publicação, que trouxe dados desse acompanhamento de mais de 2 mil mulheres cisgênero na Uganda e na África do Sul, o medicamento injetável aplicado somente duas vezes por ano se provou tão eficaz que o estudo clínico chegou a ser interrompido precocemente, já que os números superaram os critérios de interrupção pré-definidos.
Por causa disso, o Unaids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, também emitiu um comunicado recente afirmando que o medicamento oferece uma esperança de acelerar os esforços para acabar com a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 – meta que faz parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.
No entanto, para que isso aconteça, a agência da ONU diz que a Gilead precisará assegurar que todas as pessoas que necessitam desse medicamento (que custa cerca de US$ 40 mil por pessoa, por ano) tenham seu acesso garantido.
“Garantir o acesso global equitativo a novas tecnologias pode ajudar o mundo a se colocar no caminho para acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública até 2030”, afirmou Winnie Byanyima, Diretora Executiva do Unaids. (Com informações do portal de notícias g1)