Quarta-feira, 22 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 22 de abril de 2026
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou novas regras para suplementos alimentares à base de cúrcuma, com limites de dosagem e advertência obrigatória nos rótulos.
A medida, publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (22), ocorre após alertas sobre risco raro de inflamação e danos ao fígado associados ao uso desses produtos.
A norma altera regras vigentes desde 2018 e estabelece, pela primeira vez, uma faixa segura de consumo para compostos derivados da cúrcuma em suplementos, além de restringir o uso por grupos mais vulneráveis.
Também passa a ser obrigatória a inclusão de um alerta claro nos rótulos, informando que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas.
As empresas terão prazo de seis meses para adaptar fórmulas e embalagens. Durante esse período, poderão continuar vendendo os produtos, desde que as advertências estejam disponíveis em canais como site e atendimento ao consumidor.
A decisão da Anvisa ocorreu após estudos internacionais identificarem casos suspeitos de toxicidade hepática ligados ao consumo de suplementos com cúrcuma, especialmente em versões concentradas.
Autoridades sanitárias de países como França, Canadá, Itália e Austrália já haviam emitido alertas semelhantes após registros de efeitos adversos, incluindo episódios de hepatite.
Segundo a Anvisa, o principal problema está em formulações que aumentam a absorção da curcumina – o composto ativo da cúrcuma –, elevando a quantidade efetivamente processada pelo organismo.
A cúrcuma é uma planta amplamente usada como tempero e também em produtos vendidos como anti-inflamatórios naturais. Seu principal composto ativo, a curcumina, tem propriedades antioxidantes.
O problema surge quando a substância é consumida em altas concentrações, como em cápsulas ou extratos. Nesses casos, o fígado – responsável por metabolizar compostos químicos – pode sofrer uma reação inflamatória, levando a um quadro conhecido como hepatite medicamentosa.
O risco é considerado raro, mas aumenta em situações como uso prolongado, doses elevadas ou associação com outros medicamentos.
Uso na alimentação não é afetado
A Anvisa ressaltou que a nova regra não se aplica ao consumo de cúrcuma como tempero. Nas quantidades utilizadas na alimentação, a substância é considerada segura. A medida foca exclusivamente em suplementos, que concentram doses muito mais altas do composto ativo.