Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2022

Home Variedades Aos 83 anos, morre o arquiteto Ruy Othake, vítima de câncer

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Morreu na manhã deste sábado (27), aos 83 anos, o arquiteto Ruy Ohtake, em seu apartamento em São Paulo. Filho mais velho da artista plástica japonesa Tomie Ohtake, ele tinha um câncer na medula. Ruy foi cremado também neste sábado. O velório foi realizado para a família e amigos próximos.

Com um trabalho marcado por curvas e cores, é de Ruy os projetos dos hotéis Renaissance e Unique e do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e da Embaixada do Brasil em Tóquio. Os parques ecológicos do Tietê e de Indaiatuba também são de autoria de Ruy, assim como o conjunto habitacional que ficou conhecido como os “redondinhos” de Heliópolis, na zona sul de São Paulo.

Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, em 1960, abriu no ano seguinte um escritório com seu nome, capitaneando projetos de edifícios residenciais, comerciais e públicos.

Estagiário de Oscar Niemeyer (ele, inclusive, ia toda semana de São Paulo ao Rio para frequentar o escritório do arquiteto), ele fazia questão de dizer que foi com um dos pais de Brasília que aprendeu tudo.

“Ruy era modernista também, não negava a influência do Oscar. E tinha uma visão empresarial muito interessante”, diz o arquiteto Paulo Niemeyer, que lista o hotel Unique como uma das grandes obras-primas de Ruy pela “monumentalidade na simplicidade”. “Ele influenciou uma geração misturando a arquitetura moderna carioca com a paulista.

Em 1997, o próprio Oscar falou ao GLOBO sobre o discípulo:

“A criatividade e a competência de Ohtake fazem dele um dos mais legítimos representantes da moderna arquitetura brasileira. Ele aprendeu bem a lição de que o uso do concreto sugere uma arquitetura mais leve e mais solta.”

Paulo Niemeyer, que é neto de Oscar, ressaltou a amizade dos dois:

“Meu avô brincava: ‘Todo o aniversário Ruy está aqui. Esse é amigo mesmo’. Porque o Ruy sempre pegava um avião e vinha para o Rio no aniversário e ele ficava esperando.”

Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, lamentou a morte de Ruy e destacou a contribuição dos Ohtake:

“Ruy é de uma família que sempre transbordou arte e que permanece de forma definitiva entre nós”, diz Saron, em comunicado. “Assim é com o legado que sua mãe, Tomie, nos deixou, com muitas de suas obras que podem ser vistas a céu aberto, ao lado da militância cultural de Ricardo (irmão de Ruy, arquiteto e presidente do Instituto Tomie Ohtake). Assim é com os traços marcantes da arquitetura deixada agora por Ruy cuja elegância e essência os torna únicos e indissolúveis desta maravilhosa família que se mescla com a cultura brasileira”.

Marcela Abla, vice-presidente da Região Sudeste do Instituto de Arquitetos do Brasil (Ruy foi diretor do departamento de São Paulo da instituição, entre 1972 e 1973), destacou o papel social dele na construção do Conjunto Habitacional dos “Redondinhos”, em Heliópolis.

“Ruy Othake tinha muito claro a atuação do arquiteto para as populações de baixos recursos, já que, no Brasil, um quarto da população vive em habitações precárias. Ele dizia que cabia também aos arquitetos o esforço em resolver esse problema e sugeria que a implementação do Plano Diretor nas cidades deveria partir da periferia, das áreas mais pobres, ou seja, dos que mais precisavam de subsídios do governo”, ressalta Marcela, em comunicado. “O IAB lamenta profundamente a perda Ruy Ohtake, que não só deixa saudades como também obras que marcaram uma identidade na arquitetura brasileira”.

Móveis estrelados

Além das curvas e do concreto nos prédios (cujos projetos usavam elementos do terreno, como pedras e árvores), paulistano também dedicava-se ao mobiliário e ao design.

“Sempre desenhei móveis em meus projetos arquitetônicos, era como se eu estivesse vestindo os ambientes”, disse ele em 1997. “Com os móveis, procuro fazer o mesmo que na arquitetura, desafiar a gravidade.”

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