Quarta-feira, 08 de Julho de 2026

Home Economia Após críticas, presidente do Banco Central pede aos investidores “boa vontade” com o governo Lula

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O presidente o Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, pediu “boa vontade” com o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Acho que a gente tem que ter um pouco mais de boa vontade. O investidor é muito apressado, muito afoito. Acho que a gente precisa ter um pouco mais de boa vontade com o governo”, disse Campos Neto, que participou nessa terça-feira (14) de um evento.

“Quarenta e cinco dias é pouco tempo, acho que tem tido uma boa vontade enorme do ministro Haddad, de falar ‘nós temos aqui um princípio de seguir um plano fiscal como disciplina, tem o arcabouço que está sendo trabalhado, foram elaborados alguns objetivos’. Então acho que a gente precisa ter um pouco de boa vontade”, completou.

A fala do presidente do BC vai na contramão das críticas feitas pelo presidente Lula e por aliados na condução da política monetária por parte da instituição, e a taxa de juros básica (Selic) da economia, que está em 13,75% ao ano. Sobre as críticas, Campos Neto classificou o debate como “legítimo”.

“É justo questionar os juros altos. Acho que é importante ter alguém que faça esse papel no governo, sempre. Faz parte do jogo do equilíbrio natural. Acho que quando os juros reais estão alto, ter o debate sobre o porquê ele está alto, é super legitimo. E é um trabalho do Banco Central esclarecer, melhorar a comunicação, e às vezes eu reconheço que poderíamos fazer isso com maior frequência e de forma mais didática, a gente sempre tenta aprimorar isso”, destacou o presidente.

Outro assunto que tem trazido atrito entre o governo federal e o Banco Central é a meta de inflação. O presidente Lula também criticou publicamente as metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional, e disse que não são possíveis de serem cumpridas. Sobre o tema, Campos Neto afirmou que chegou a ser procurado por agentes do legislativo para alterar as regras sobre a mudança da meta, mas declinou a proposta.

“A gente não acha que qualquer coisa que vai no sentido de mudar a meta é bom. Inclusive, eu mencionei ontem que fomos procurados pelo legislativo que tinha um projeto para fazer uma mudança que a meta só poderia ser mudada se for unânime. Essa não é a regra do jogo, a regra é que quem determina a meta é o governo, e o Banco Central segue a meta”, disse ele.

“Inclusive, se tiver que olhar os extremos entre preferir unanimidade ou preferir o BC não ter voto, ser só um assistente técnico, eu preferia a outra. Porque a gente acha que tem um pouco de conflito de interesse em você definir sua própria meta”, afirmou.

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