Quarta-feira, 08 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de fevereiro de 2023
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, endossou as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à política monetária do Banco Central (BC) e disse que os juros no Brasil são totalmente “fora de propósito”.
Na primeira reunião após a eleição de Lula, o Diretório Nacional do PT vai ampliar a ofensiva contra o presidente do BC, Roberto Campos Neto, para pressionar a instituição financeira a reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 13,75% ao ano. Em uma exposição de aproximadamente 40 minutos, o ministro da Fazenda afirmou que em nenhum país do mundo esse patamar é tão alto.
No mercado, os ataques aumentaram o receito de intervencionismo na administração da política monetária. Pela atual legislação, o BC tem autonomia para definir as taxas de juros.
Na última semana, ministros alertaram Lula que esse confronto só tem contribuído para aumentar o chamado prêmio de risco pedido por quem compra os papéis do Tesouro e financia o governo, impactando a curva de juros (quando o mercado precifica uma alta de juros para os contratos futuros) e pressionando o câmbio. O dólar mais alto, por sua vez, realimenta a inflação e pode retardar justamente a queda de juros.
Na segunda (13), o Boletim Focus indicou nova alta nas estimativas do mercado para a inflação no ano – de 5,78% para 5,79%.
Também ganhou corpo o debate sobre rever as metas para a inflação – consideradas baixas demais pelo governo, enquanto parte do mercado vê artificialismo numa eventual mudança.
Nesta quinta-feira (16), Haddad participará da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), ao lado de Campos Neto e da ministra do Planejamento, Simone Tebet.
O Palácio do Planalto e a cúpula do PT querem que o CMN trate, nesse encontro, da mudança da meta de inflação, atualmente em 3,25%. Lula já propôs que a meta fique em 4,5% para pode ampliar os gastos públicos.
“Taxa errada”
O discurso de Haddad ganhou respaldo do economista André Lara Resende, que participou da equipe de transição na área econômica, segundo o qual a manutenção da Selic (taxa básica de juros) em 13,75% ao ano é um erro. “A economia brasileira precisa ser desaquecida neste nível? Com a taxa de juros real mais cara do mundo hoje? Claramente não”, afirmou Resende, em entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band.
Também crítico ao BC, um grupo de economistas “desenvolvimentistas” assinou um manifesto. O grupo conta com nomes como Luiz Carlos Bresser-Pereira, Monica de Bolle, Luciano Coutinho, Luiz Gonzaga Belluzzo e Antônio Corrêa de Lacerda.