Sábado, 13 de Junho de 2026

Home Política Após rejeitar mais uma vez delação de Daniel Vorcaro, Polícia Federal pede que o banqueiro volte para a Penitenciária da Papuda

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Após rejeitar a segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Polícia Federal (PF) também pediu que o banqueiro deixe a Superintendência da corporação, em Brasília, e seja transferido de volta ao Complexo da Papuda.

Segundo fontes ligadas à investigação, os policiais argumentam que a permanência do empresário no local poderia comprometer o andamento das apurações relacionadas ao caso.

A decisão sobre o pedido da PF cabe ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também deve se manifestar sobre a solicitação antes de uma eventual decisão judicial.

Segundo interlocutores da PF, a transferência de Vorcaro não deve ocorrer nesta sexta–feira (12).

No mês passado, a PF rejeitou uma primeira versão de delação. O acordo segue sendo negociado com a PF e com a PGR de forma conjunta.

Investigadores vinham reclamando que o material apresentado pela defesa acrescentava pouco em relação ao que já foi levantado pela PF e que a impressão era que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas.

A solicitação prevê que Vorcaro volte para a Penitenciária Federal de Brasília, localizada dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, na capital federal.

A estrutura do sistema prisional na área é dividida da seguinte forma:

Penitenciária Federal de Brasília: É uma unidade de segurança máxima administrada pelo Governo Federal (Ministério da Justiça), destinada a criminosos de alta periculosidade e isolamento;
Papuda: É administrada pelo Governo do Distrito Federal e possui várias unidades (como o CDP, PDF I e PDF II). As duas funcionam de forma independente.

A Polícia Federal pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça a remoção do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, da carceragem da superintendência da corporação em Brasília. O pedido foi encaminhado em conjunto com o comunicado em que formalizou a rejeição da segunda proposta de delação apresentada por Vorcaro.

A corporação pede que ele vá para a Penitenciária Federal de Brasília, localizada dentro do Complexo da Papuda. Após firmar um acordo de confidencialidade, em março, o que marcou o início das tratativas, Vorcaro foi autorizado a ficar numa cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde pode receber diariamente os advogados das 9h às 17h.

Quando o primeiro acordo foi rejeitado, em maio, Vorcaro seguiu para uma cela comum na superintendência, mas depois voltou para a cela especial quando as negociações foram retomadas.

A PF rejeitou a delação novamente porque considerou que o material não trazia novidades ao que já havia sido mapeado pelas investigações, além de não trazer elementos de provas, que são essenciais para os acordos de colaboração. Os investigadores têm em mãos oito celulares de Vorcaro, com acesso a documentos e mensagens.

Segundo a percepção dos investigadores, o banqueiro teria poucas condições de corroborar os seus relatos com documentos, pois já não tem o controle do Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.

Investigadores sustentam que os anexos entregues não apresentam fatos suficientemente inéditos nem elementos de corroboração capazes de justificar o avanço de um acordo de colaboração. Também há uma percepção entre eles de que o banqueiro não está disposto a cooperar e estaria só tentando ganhar tempo longe de um presídio comum.

A PF e a PGR passaram os últimos dias analisando a segunda proposta. A avaliação predominante é que Vorcaro procurou mais se defender e justificar os favores à classe política do que admitir crimes e apontar novos caminhos de investigação, o que era esperado numa delação.

Vorcaro é suspeito de comandar um esquema de fraudes financeiras que lesou correntistas e investidores do Master, o que incluiu fundos de previdência de estados e municípios, como o Rioprevidência. O rombo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que arca com aplicações de até R$ 250 mil, foi de cerca de R$ 50 bilhões.

Esta é a segunda vez que a PF se retira das negociações com o banqueiro — a primeira ocorreu em maio e levou a uma troca na equipe de defesa. Na ocasião, o advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, deixou o caso, que agora tem à frente o criminalista Sérgio Leonardo.

Interlocutores da defesa do banqueiro, por sua vez, alegam que o material entregue traz um conjunto de histórias inéditas e é consistente. Para eles, há uma avaliação de que os investigadores estão com má vontade em prosseguir com o acordo. Com informações do portal O Globo.

 

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