Sexta-feira, 24 de Abril de 2026

Home Saúde As canetas emagrecedoras são seguras e eficazes para os adolescentes? Especialistas explicam

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A obesidade entre crianças e adolescentes avança de forma acelerada no mundo e já é considerada um dos principais desafios de saúde pública. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a incidência quadruplicou entre adolescentes desde 1990. No Brasil, números do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que cerca de um terço da população com até 19 anos apresenta excesso de peso — sendo 15% com obesidade e 18% com sobrepeso.

Diante desse cenário, medicamentos à base de semaglutida, conhecidos como “canetas”, passam a ser considerados uma alternativa terapêutica também para essa faixa etária. No Brasil, o uso é autorizado a partir dos 12 anos. Já a tirzepatida, vendida como Mounjaro, ainda não tem liberação da Anvisa para menores de 18 anos. Assim como nos adultos, a semaglutida pode ser indicada para adolescentes com obesidade ou sobrepeso associado a outras doenças.

A adoção desses medicamentos ocorre em um contexto de limitações das abordagens tradicionais. Mudanças na alimentação e a prática de atividade física, embora fundamentais, costumam ter efeitos moderados quando aplicadas isoladamente. A cirurgia bariátrica, por sua vez, ainda é vista como invasiva e de difícil ampliação.

O avanço das terapias, porém, traz dilemas para as famílias. O alto custo, a possibilidade de uso contínuo e os efeitos colaterais fazem com que muitos pais hesitem. Especialistas alertam, no entanto, que tratar a obesidade ainda na infância é decisivo para reduzir o risco de doenças como diabetes, problemas cardiovasculares e mortalidade precoce.

Casos concretos ilustram esse cenário. Kamyle, de 16 anos, realizou cirurgia bariátrica em janeiro após dificuldades com outros métodos. Já os pais de Maria Júlia, de 13 anos, optaram pelo uso da caneta depois de tentativas sem sucesso com acompanhamento psicológico, pediátrico e nutricional. A adolescente apresenta pré-diabetes e sinais iniciais de comprometimento vascular.

Estudos indicam que medicamentos como semaglutida e liraglutida são eficazes na redução de peso em adolescentes, com perfil de segurança considerado aceitável. Apesar disso, a autorização formal ainda restringe o uso a maiores de 12 anos.

Para especialistas, iniciar o tratamento precocemente pode fazer diferença. O coordenador do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da Unicamp, Lício Velloso, afirma que a obesidade na infância aumenta o risco de doenças crônicas e reduz a expectativa de vida. Segundo ele, muitos jovens já apresentam hipertensão, pré-diabetes e alterações nas artérias.

A discussão sobre o uso em idades menores segue em andamento. O presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, João Salles, aponta indícios positivos em estudos com crianças a partir dos 10 anos, mas ressalta que ainda faltam evidências robustas. A endocrinologista Maria Edna de Melo também defende cautela, destacando a necessidade de mais pesquisas.

Outro ponto central é a chamada “memória metabólica”. Quanto mais cedo a obesidade se instala, mais difícil se torna revertê-la, já que o organismo se adapta ao excesso de ingestão calórica. Esse processo reforça a importância da intervenção precoce.

A pediatra Danielle Negri afirma que mudou sua posição após observar resultados positivos. Segundo ela, o tratamento pode melhorar não apenas a perda de peso, mas também a qualidade de vida, reduzindo sintomas de depressão e isolamento social. Ainda assim, ressalta que o uso deve ser feito com acompanhamento médico.

Além dos fatores biológicos, especialistas destacam o papel do ambiente. O consumo de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo contribuem para o avanço da obesidade. A recomendação é estimular hábitos saudáveis desde cedo.

Para médicos, também é importante combater o estigma. Quadros como a hiperfagia, caracterizada por fome excessiva, não devem ser confundidos com falta de disciplina. Trata-se de uma condição clínica que exige acompanhamento.

Com o aumento dos casos e novas opções terapêuticas, o tratamento da obesidade infantil exige abordagem ampla, com mudanças de hábitos, suporte familiar e, quando necessário, uso criterioso de medicamentos.

(Com O Globo)

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