Quarta-feira, 17 de Julho de 2024

Home em foco Atual e ex-presidentes da Argentina não ousaram se candidatar de novo nas eleições deste ano

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Neste domingo, os argentinos votam nas primárias, chamadas de PASO (Primárias abertas, simultâneas e obrigatórias). A etapa definirá quais serão os nomes na eleição presidencial, que terá o primeiro turno em 22 de outubro, e serve para testar a força de cada candidato nas urnas. Nem o atual e nem o ex-presidente da Argentina ousaram se candidatar de novo.

A disputa principal se dá entre a coalizão no governo, de esquerda, a oposição de centro-direita e um nome que tenta ser uma terceira via, Javier Milei. Deputado, ele tem chamado a atenção com uma retórica agressiva contra os políticos tradicionais e a defesa de medidas radicais, como acabar com o Banco Central e adotar o dólar como moeda argentina.

Sondagens apresentam um cenário favorável à oposição. A coalizão de Milei vem em terceiro, enquanto a direita moderada, órfã do ex-presidente Mauricio Macri, que não quis se candidatar, terá de escolher entre Horacio Larreta, prefeito de Buenos Aires, e Patricia Bullrich, ex-ministra do Trabalho – o macrismo lidera a corrida.

Em segundo está a coalizão peronista Unión por la Pátria, ligada ao governo de esquerda do presidente Alberto Fernández e de sua vice, Cristina Kirchner, que também preferiram ficar de fora. Enfraquecida pela crise econômica, ela escolherá o atual ministro da Economia, Sérgio Massa, um nome de consenso. Nenhum dos candidatos supera 25% das intenções de voto e estima-se que 10% ainda estejam indecisos.

Nas províncias, o desencanto é maior. Segundo autoridades eleitorais, 5,5 milhões de pessoas não votaram nas eleições locais. “Na Argentina, a população está vivendo um processo estranho de apatia política”, disse ao Estadão Carlos de Angelis, professor de Sociologia da Opinião Pública da Universidade de Buenos Aires.

Lourdes Puente, diretora da Escola de Política e Governo da Universidade Católica Argentina (UCA), acredita que a Argentina saia das urnas fragmentada. “Há grandes incertezas, mas a troca do comando da Casa Rosada tem se tornado um cenário cada vez mais plausível”, disse.

Para Carlos Fara, consultor político, a campanha ficou até agora refém de um único assunto: a crise econômica. Na Argentina, 40% vivem abaixo da linha de pobreza, a inflação chegou a 115% ao ano, o peso vale cada dia menos e as reservas acabaram – e ninguém oferece uma saída. “Em um contexto tão negativo, a eleição pode gerar uma mudança no governo, o que favorece a oposição.”

Extrema-direita

Filiado ao pequeno partido A Liberdade Avança, Milei tem atraído eleitores de direita e extrema-direita. O candidato ganhou fama ao participar de programas de TV dando opiniões polêmicas e fazendo ataques com ironias aos adversários, feitos na medida para chamar a atenção. Até se tornar o rosto de um movimento que, nascido do inconformismo e da apatia, ganhou espaço a ponto de preocupar governistas e opositores. Sua trajetória vem sendo comparada à de nomes como Donald Trump e Jair Bolsonaro. O ex-presidente brasileiro declarou apoio a Milei.

Mas, após acusações que colocaram seu partido no centro de um esquema de venda de cargos, a campanha de Milei caiu nas pesquisas, enquanto a de Patricia Bullrich – um dos nomes mais fortes da coalizão de direita Juntos por el Cambio – cresceu.

Pesquisas

Levantamentos recentes mostram que as coalizões do governo e da oposição possuem cerca de 30% dos votos cada uma. Milei teria algo em torno de 20%.

No entanto, como as candidaturas das primárias foram definidas há poucas semanas, os resultados das pesquisas podem ser imprecisos, pois ainda há desconhecimento da maioria sobre os nomes na disputa.

Todos os eleitores são chamados a votar para definir os nomes das chapas, e não apenas aqueles que são filiados a partidos. Assim, será possível saber como a anda a preferência do eleitorado geral em relação aos candidatos.

As primárias também definem candidatos para o Congresso, prefeitura e governo da província de Buenos Aires.

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