Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026

Home Eleições 2026 Autores do impeachment da presidente Dilma Rousseff divergem em apoio a Lula e Flávio Bolsonaro

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Autores do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015, se dividem entre apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL). O ex-ministro da Justiça e advogado Miguel Reale Júnior afirmou que eleger o senador seria “legitimar o golpe”, devido à proposta de anistiar o pai e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os envolvidos no 8 de janeiro. Já a advogada e vereadora eleita em São Paulo Janaína Paschoal (PP), pontuou que escolher o candidato do PL é “o único caminho que resta”.

Em entrevista ao Metrópoles, Reale Júnior afirmou que o candidato do PL representa uma “apologia à ditadura militar”, com os discursos sobre violência. Em carta publicada no Instagram, o advogado criticou o senador e o acusou Flávio Bolsonaro de permitir que o governo dos Estados Unidos interfira no Brasil caso seja eleito.

“Flávio é uma cópia malfeita do pai. Esquece-se do passado, do que foi Flávio. Flávio, como deputado estadual pelo Rio de Janeiro, reiteradamente assumiu a tribuna para elogiar a ditadura, elogiar a Ustra, concedeu uma medalha e homenagem, maior título da Assembleia Legislativa ao miliciano Adriano Nóbrega, pôs no seu gabinete a mãe e a irmã de Nóbrega, escreveu um livro em 2017, Mito ou Verdade, no qual elogia o coronel Ustra e o chama de herói”, afirmou o advogado na entrevista.

Em contrapartida, Paschoal declarou apoio a Flávio Bolsonaro. A vereadora relata que, ao ouvir uma fala do senador em uma agenda, percebeu que seu discurso cresceu e evoluiu. Ao ser questionada sobre quem apoiará nas Eleições 2026, destacou que a melhor escolha diante do cenário do país, é eleger o candidato do PL.

“Antes, tínhamos vários caminhos, cada um fez sua escolha no primeiro turno. Agora, com Lula, PT e a história conhecida de um lado, resta apenas um caminho, apertar 22. Temos que tentar com Flávio Bolsonaro. Espero que ganhe e, acima de tudo, espero poder dizer que foi o melhor Presidente que este País já teve”, destacou Paschoal, em post no X.

Reflexos de 2022

Em 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro nas urnas, o advogado também tinha declarado apoio ao petista. Na ocasião, o ex-ministro pontuou que era necessário apoiar os petistas para “evitar o pior”, em referência ao candidato do PL. Reale afirmou que decidir eleger Lula era saber que “evitaria ataques à democracia, à dignidade da pessoa humana e ao meio ambiente”.

Na época, Paschoal, que havia sido cotada para ser a vice de Jair Bolsonaro em 2018, também declarou apoio a ele. A vereadora tentou consolidar uma aliança com o ex-presidente e o então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A advogada foi eleita deputada estadual pelo PSL em 2018, na onda bolsonarista.

Processo 

Reale e Paschoal foram autores do pedido de impeachment contra Dilma juntamente com o advogado e fundador do PT Hélio Bicudo, que morreu em 2018 aos 96 anos, devido a complicações cardíacas.

Os juristas e autores da denúncia por crime de responsabilidade contra Dilma assinaram o pedido, aceito pela Câmara dos Deputados. Na ocasião, Reale afirmou que “as pedaladas fiscais são um crime grave” porque esconderam a realidade das contas públicas do país e Paschoal afirmou que “sobram crimes de responsabilidade”.

O processo foi aprovado pelo Senado Federal no dia 31 de agosto de 2016, por 61 votos a favor e 20 contra e resultou na perda do mandato de Dilma Rousseff. (Com informações do jornal O Globo)

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