Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Home em foco Autoteste pode agilizar registro de casos de covid

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Diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovaram nesta semana a venda de autotestes da Covid. Os testes, que poderão ser feitos pelo paciente em casa e sem a ajuda de um profissional da saúde, serão uma ferramenta a mais para diagnosticar a infecção pelo coronavírus.

Entretanto, a decisão não tem efeito imediato: cada empresa interessada em comercializar sua versão do produto precisa pedir o registro junto à agência, que vai analisar cada solicitação.

A medida vale apenas para os chamados testes de antígenos (feito da coleta do material no fundo da boca e do nariz e que busca sinais de anticorpos gerados pelo corpo após a infecção), e não se aplica aos teste RT-PCR (mais preciso, mais demorado e que detecta a presença do material genético do coronavírus).

Como funciona?

O autoteste é uma forma de diagnosticar o coronavírus em caso de suspeita de infecção.

O autoteste é parecido com o teste rápido de antígeno, mas pode ser feito por leigos, em casa. O kit vem com um dispositivo de teste, tampão de extração, filtro e o swab — uma espécie de cotonete usado para a coleta nasal, a mais comum.

O chamado “teste de antígeno” é capaz de identificar o antígeno viral, que é uma estrutura do vírus que faz com que o corpo produza uma resposta imunológica contra ele – os anticorpos.

“O autoteste é uma ferramenta que ajuda na questão do acompanhamento. A pessoa pode fazer o teste para saber se ainda está positiva, mas principalmente na prevenção. Ela pode se testar para poder evitar a transmissão”, explica o infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Quanto custa?

Os autotestes ainda não estão disponíveis para compra. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cada empresa interessada em comercializar sua versão do produto precisa pedir o registro junto à agência, que vai analisar cada solicitação.

A venda deve ocorrer em farmácias e em estabelecimentos que podem comercializar produtos de saúde, desde que tenham a licença sanitária e estejam regularizados. Sobre vendas pela internet, só esses estabelecimentos estarão aptos para vender. Eles não poderão ser vendidos em sites de e-commerce.

Empresas poderão comprar autotestes e distribuir aos seus funcionários. Não há nenhuma restrição sobre isso.

Sobre valores, a Anvisa espera que sejam mais baratos que os atuais, feitos em farmácias.

É um atestado?

Não. A Anvisa alerta que o autoteste não gera um laudo. “Você terá uma informação de uso individual. Ele não serve como comprovante que você não tem Covid para viagem internacional, por exemplo, como também não será diretamente aceito pelo empregador para fins de dispensa do trabalho. Caso dê positivo, você precisa passar por um profissional de saúde”, explica a agência.

Quando fazer?

Você deve fazer de três a sete dias após o surgimento dos sintomas. “Esse é o intervalo que traz melhor confiança nos resultados, segundo os fabricantes”, orienta o microbiologista Luiz Gustavo Almeida, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP).

O microbiologista explica que ao entrar em contato com alguém infectado, é preciso esperar alguns dias para evitar o falso negativo. “Se você fizer no dia seguinte ao contato, é muito provável que o resultado seja negativo. Isso porque não tem uma quantidade suficiente de vírus no seu corpo para que o teste consiga detectar”.

Controle

Para o especialista, o autoteste é relevante quando temos muitos casos positivos em algum local, como está ocorrendo no Brasil.

“Seria um bom indicador, mesmo com limitações [coleta errada, falso negativo]. Serviria como um alerta e seria importante para se ter uma noção, um monitoramento da real situação”, diz Luiz Gustavo Almeida.

“O autoteste é importante porque temos a questão da pessoa sair de casa para testar e enfrentar horas de fila. A pessoa pode chegar sem vírus e sair de lá infectada. O autoteste também traz agilidade. Se a pessoa testa positivo, ela não sai de casa e avisa os familiares. Acredito também que ele será importante no pós-pico da pandemia. Medimos transmissão comunitária através de taxa de internação, novos casos, mortes e percentual de positividade. Testando regularmente a população, teremos dados reais e concretos da transmissão comunitária para definir medidas de controle”, diz.

No entanto, seria necessário ter um sistema para reportar os casos positivos. “Para fim de política pública, se não tiver um sistema de informação, não vai valer de nada fazer o autoteste”, completa.

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