Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021

Home Economia Banco Central deve intensificar alta da Selic, a taxa básica de juros no País

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A nova metodologia para o teto de gastos aprovada na Câmara dos Deputados prejudica a credibilidade fiscal do governo, na visão de Caio Megale, economista-chefe da XP. A expectativa, agora, é de que o Banco Central intensifique o ritmo de alta da Selic, diante da previsão de pressão inflacionária ainda maior.

“O Brasil é um país muito endividado. Nossa dívida pública em relação ao PIB está em torno de 80%. A média dos países emergentes é em torno de 50%. E a nossa taxa de juros é elevada. Por isso há a necessidade de reequilibrar esse fundamento da economia brasileira. Ele que dá a credibilidade de que a nossa dívida será honrada, de que o governo vai ser solvente. Isso gera a estabilidade da moeda”, disse o economista durante uma live.

“Quando as nossas despesas são muito altas, como é o caso do País, e apresentamos despesas ainda mais altas no futuro, naturalmente nossa taxa de juros vai se deteriorar. A regra do teto de gastos determina que o crescimento das despesas não podem crescer além da inflação. Foi criada em 2007 e estava funcionando, com exceção do período da pandemia, o que foi natural ter gastos extraordinários”, completou.

Megale ressaltou que, em vez de o governo cortar despesas não relevantes, como as emendas parlamentares, subsídios a diversos setores da economia ou programas que não são tão efetivos, a decisão foi manter todos esses gastos e alterar a regra para poder ampliar o tamanho do teto, o que permitiria mais despesas.

“Se você tem uma regra que limita suas despesas e, na hora que essa regra fica apertada, em vez de você cortar despesas você afrouxa a regra, isso diminui muito a credibilidade desse regime. Acho que é por isso que os membros da equipe econômica que estavam mais alinhados com esse sistema [do teto de gastos] resolveram sair”, disse.

“Se as despesas tendem a ser maiores lá na frente, as projeções também tendem a ser maiores para alguns fundamentos. Hoje nós projetamos taxa de câmbio em R$ 5,20 no cenário base para este ano e R$ 5,10 para o final do ano que vem. Mas isso era dentro do cenário em que as regras fiscais eram mantidas. O que nós estamos assistindo é uma mudança de regime. Temos um novo regime fiscal. Se nós temos um novo regime fiscal de mais gastos, provavelmente a taxa de câmbio não vai ser de R$ 5,20, vai ser maior por causa da diferença da credibilidade”, destacou.

Riscos

Paulo Gama, analista político da XP, destacou que a decisão de alterar a regra do teto de gastos agora tem um viés eleitoral. “A gente está às vésperas do fim do auxílio emergencial, que se encerra agora em outubro, e o governo, por uma questão também eleitoral, com o presidente Jair Bolsonaro com uma popularidade que beira a mínima histórica desde o início de seu mandato, tenta arrumar alguma maneira de entrar no ano seguinte se reabilitando, transformando a candidatura dele em algo mais competitivo”, disse.

O analista ressaltou que, a partir de agora, há três riscos principais. O primeiro é observar se a política vai entender que esse espaço aberto é suficiente para essas demandas todas (Auxílio Brasil, fundo eleitoral, etc.). Se não for, a pressão por gastos tende a continuar.

A segunda pressão, na visão dele, é que o governo decidiu dessa maneira circunscrever um novo programa de transferência de renda que vamos ter em 2022 aos 17 milhões de pessoas que vão estar debaixo do guarda-chuva do Auxílio Brasil. “O contingente dos invisíveis, como chamou o ministro Paulo Guedes, segue desassistido”, enfatizou.

“E o terceiro risco é de você transformar esses aumentos temporários em aumentos permanentes. Como que o presidente que se eleger e estiver sentado na cadeira em 2023 vai cortar pela metade o tamanho do programa de transferência de renda em vigor? Por mais que o teto já tenha sido elevado e que agora isso caiba dentro do limite, é uma despesa que vai ficar comprometida e pressionando outros tipos de gastos”, disse Gama.

Sobre a saída dos membros da equipe econômica, o analista afirmou que a sensação é de que há espaço para mais avanços. “É um quarto risco que confirma os outros três. A percepção de que venceu-se uma batalha, então há espaço para um pouco mais de avanço [dos interesses eleitorais do governo]. Agora ficou claro que se [a despesa] bater no teto, há um espaço para mudar o teto”, concluiu.

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