Quinta-feira, 14 de Maio de 2026

Home Economia Bancos elevam provisões contra calotes em 33%, em meio a cenário de guerra e juros altos

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Os principais bancos do País reforçaram as provisões para perdas no início do ano diante do cenário de crédito mais restritivo. O setor enfrenta os efeitos da taxa Selic elevada, atualmente em 15%, que pressiona o endividamento de empresas e famílias. O ambiente ainda é agravado pela guerra no Oriente Médio e pela alta do petróleo, fatores que reduzem o espaço para cortes de juros pelo Banco Central.

Banco do Brasil, Santander, Itaú Unibanco e Bradesco somaram R$ 44,8 bilhões em despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) no primeiro trimestre, alta de 33% em relação ao mesmo período do ano passado, considerando o cálculo líquido de créditos recuperados — indicador conhecido como custo de crédito.

Parte desse avanço é explicada pela resolução CMN 4.966, que antecipou o reconhecimento de perdas esperadas e endureceu a classificação de risco das operações. Ainda assim, o cenário macroeconômico segue como principal fator de pressão.

“Estamos em um momento de inflexão do ciclo, com o efeito atrasado da política monetária”, afirmou Nícolas Merola, analista da EQI Research. Segundo ele, os impactos ainda devem persistir nos próximos meses.

O caso mais delicado é o do Banco do Brasil, que registrou R$ 18,9 bilhões em custo de crédito entre janeiro e março, alta anual de 86%. O banco enfrenta dificuldades especialmente no agronegócio, principal carteira da instituição, afetada pela volatilidade dos preços das commodities e por eventos climáticos extremos.

A inadimplência rural do BB subiu de 2,76% para 6,22% em um ano, considerando atrasos acima de 90 dias. O agro respondeu por R$ 7,4 bilhões das provisões totais. Além disso, o banco recuperou apenas R$ 1,2 bilhão em créditos, abaixo da expectativa de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões por trimestre.

Segundo o vice-presidente financeiro do BB, Geovanne Tobias, a carteira do agronegócio segue sendo a principal fonte de risco. Ele afirmou ainda que o banco reforçou provisões também na área de cartão de crédito, diante do aumento do endividamento das famílias.

Nos bancos privados, a deterioração da inadimplência foi mais moderada. No Santander, a taxa de atrasos acima de 90 dias avançou de 2,7% para 3,3% em 12 meses. No Bradesco, a alta foi menor, enquanto o Itaú manteve estabilidade em 1,9%.

Mesmo assim, o Itaú registrou piora nas carteiras de micro, pequenas e médias empresas, principalmente após o fim da carência de programas de crédito garantidos pelo governo, como o Fundo Garantidor de Investimentos (FGI). O presidente do banco, Milton Maluhy Filho, afirmou que o avanço da inadimplência já era esperado e segue em níveis inferiores aos registrados em anos anteriores.

As carteiras corporativas também geram preocupação. Sem citar nomes, os bancos reconhecem dificuldades em grandes empresas, em um ambiente marcado por casos recentes de recuperação extrajudicial envolvendo grupos como Grupo Pão de Açúcar e Raízen.

No Bradesco, o aumento das provisões elevou o custo de crédito para 3,5% da carteira média de empréstimos. Analistas do Citi avaliam que esse indicador será decisivo para a recuperação gradual da rentabilidade do banco nos próximos trimestres.

Já o CEO do Santander, Mario Leão, afirmou não ver um problema estrutural, mas reconheceu preocupação com pequenas empresas, agronegócio e parte das carteiras de cartões. Segundo ele, 2026 deve ser melhor para o agro, embora ainda distante de um cenário ideal.

Dados do Banco Central mostram que a inadimplência total do crédito no Brasil chegou a 4,3% em março, ante 3,3% um ano antes. Em resposta, o governo federal lançou uma nova etapa do programa Desenrola, voltada a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de até R$ 15 mil.

Os bancos receberam bem a iniciativa, mas avaliam que o impacto estrutural tende a ser limitado. Para o JPMorgan, o programa pode ajudar instituições financeiras a recuperar parte dos créditos perdidos, embora não resolva o alto nível de endividamento das famílias brasileiras.

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