Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026

Home Acontece Biodiesel brasileiro mostra força na Expointer e reforça impacto econômico e ambiental

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Estudos da Embrapa e da APROBIO indicam capacidade de ampliar mistura no diesel e reduzir dependência de importações

A produção de biodiesel no Brasil foi tema central da 35ª Expointer, em Esteio (RS), durante o seminário O Biodiesel na Agroenergia, promovido pela Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO). Especialistas apontaram que o país tem condições de ampliar a mistura obrigatória do biocombustível ao diesel fóssil, superando o patamar de 10% (B10), sem comprometer o abastecimento interno ou as exportações.

Segundo José Manuel Cabral de Sousa Dias, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia, a área plantada de soja projetada para 2020, cerca de 30 milhões de hectares, seria suficiente para atender a demanda. “A produção de biodiesel para 10% de mistura consumirá 35,4% da produção projetada do grão, sem comprometer nem o abastecimento interno, nem as exportações”, afirmou. Atualmente, cerca de 14% da soja brasileira é destinada à produção de óleo para biodiesel.

Diversificação de matérias-primas

O seminário também destacou pesquisas com outras oleaginosas, como pinhão manso e crambe, que apresentam sementes com até 60% de concentração de óleo. Além disso, o conselheiro da APROBIO, Alexandre Pereira, ressaltou o papel do sebo bovino, que já responde por 15% da matéria-prima utilizada. “Cada animal consome até 8 litros de diesel durante sua criação e, após o abate, gera 20 litros de biodiesel”, explicou, destacando o aproveitamento de resíduos da cadeia pecuária.

Impacto na balança comercial

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Rafael Schechtman, lembrou que o biodiesel contribui para reduzir gastos com importações. Em 2025, o Brasil desembolsou US$ 7,4 bilhões na compra de diesel fóssil. A adoção do B10 poderia gerar economia significativa, além de aliviar a logística de importação enquanto novas refinarias da Petrobras não ficam prontas.

Estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) reforçam esse impacto: entre 2005 e 2010, o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) proporcionou economia de US$ 2,84 bilhões nas compras externas. Em um cenário de B10, a economia projetada para 2010 seria de US$ 1,67 bilhão, considerando preços internacionais da época.

Sustentabilidade e política agrícola

Além da questão econômica, o seminário abordou a importância do biodiesel para a sustentabilidade e para a política agrícola nacional. O uso de matérias-primas diversas, aliado ao georreferenciamento de rebanhos na Amazônia legal, busca garantir que a produção não avance sobre áreas de preservação.

A iniciativa contou com a participação de autoridades estaduais e federais, como representantes do Ministério da Agricultura, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, além de parlamentares como o deputado federal Jerônimo Goergen, presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel.

Perspectivas

O consenso entre especialistas é que o Brasil reúne condições técnicas, econômicas e ambientais para ampliar a participação do biodiesel na matriz energética. A diversificação de matérias-primas, a redução da dependência externa e os ganhos ambientais reforçam o papel estratégico do setor. (por Gisele Flores -gisel@pampa.com.br)

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