Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2022

Home Economia Black Friday tem faturamento abaixo do esperado

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Aconteceu na última sexta-feira (26) a Black Friday, um dos eventos mais esperados do ano para o varejo. Em um ambiente macroeconômico mais desafiador, com forte pressão inflacionária e menor renda da população, contudo, a data deixou a desejar, segundo especialistas do mercado.

Levantamento da Neotrust mostra que a Black Friday gerou um faturamento total de R$ 5,4 bilhões – crescimento de 5,8% em relação ao resultado do ano passado. Foi considerado o número total de compras realizadas via e-commerce, capturados desde quinta-feira (25) até 23h59 do dia seguinte.

O faturamento veio abaixo do esperado, segundo Paulina Gonçalves Dias, head de Inteligência da Neotrust. Ela destaca que houve 5,2 milhões de pedidos na sexta, 2,4% abaixo do registrado no mesmo período em 2020.

Nas 48 horas analisadas, o volume de pedidos totalizou 7,6 milhões, 0,5% abaixo do desempenho registrado na quinta e na sexta-feira de 2020. Já o tíquete médio nacional das compras foi de R$ 711,38 (6,4% superior a 2020).

Paulina chama atenção ainda para o valor do frete médio, com redução de 12% em relação ao ano passado, enquanto a participação do frete grátis nos pedidos subiu 0,6 ponto percentual – o que leva à conclusão de que as varejistas tenham arcado com uma parte desse frete para atrair consumidores.

Outro destaque, entre as categorias mais vendidas, foi a entrada do item Eletroportáteis no “Top 5”.

“Nessa categoria, o destaque foram as compras de fritadeiras e aspirador de pó. Na categoria Moda e Acessórios, o maior desconto foi dado no segmento de calçados femininos e o menor desconto foi para moda masculina. Dentro da categoria Beleza e Perfumaria, o maior desconto ocorreu em itens para o corpo e o menor em itens de barbearia”, completa a executiva da Neotrust.

Em relatório datado de domingo (28), o Bradesco BBI avalia que os dados da Neotrust indicam uma Black Friday “decepcionante”. O time de análise avalia, contudo, que as grandes plataformas de e-commerce devem reportar um volume bruto de mercadorias (GMV) acima do reportado pela Neotrust, assim como foi visto em 2020.

De forma geral, os analistas reconhecem que a demanda do consumidor enfraqueceu, principalmente para itens discricionários de alto custo, como eletrônicos e linha branca, que representam cerca de 50% do GMV de comércio eletrônico do Brasil.

Isso, contudo, não é novidade para os investidores, escreve o banco, dado que as próprias empresas já haviam sinalizado, ao longo da temporada de resultados do terceiro trimestre, um ambiente de demanda mais fraca.

Mesmo assim, a expectativa é de que o cenário alimente uma narrativa mais cautelosa em torno do comércio eletrônico, que vem crescendo nos últimos meses.

O time de análise escreve ainda que poderia haver alguns efeitos colaterais negativos se as tendências de crescimento fossem tão decepcionantes quanto os dados da Neotrust sugerem, dado que a maioria das varejistas tinha altos níveis de estoque para a Black Friday.

“Esperamos algum impacto negativo sobre as ações dos nomes de comércio eletrônico listados na Bolsa, embora limitado, dado que os preços das ações na sexta parecem já ter reagido. Além disso, o setor tem sofrido nos últimos meses e o ambiente mais desafiador já parece estar no preço das ações”, avalia o Bradesco BBI.

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