Sábado, 17 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de outubro de 2026
A mobilização digital deflagrada por setores da esquerda após o primeiro turno surpreendeu bolsonaristas, afetou trackings da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e vem gerando um contra-ataque de seu partido.
Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sair atrás na votação em 4 de outubro, quando recebeu 45,16% dos votos, atrás dos 47,03% de Flávio, o deputado federal André Janones (Rede-MG) liderou uma reação ao mobilizar o canal de WhatsApp “Exército do Lula” para disseminar conteúdo pró-PT. Diversos perfis, canais e organizações também têm feito suas próprias mobilizações.
O canal bateu mais de 4,5 milhões de seguidores, mesmo após ficar um dia fora do ar por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques. Na semana passada, o PL contra-atacou e criou o “Tropa do Flávio”, que reúne aproximadamente 1,8 milhão de seguidores, para não sair perdendo na mobilização digital.
A iniciativa veio do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), eleito senador na semana passada, e está sendo municiada com conteúdo produzido por lideranças como Nikolas Ferreira (PL-MG) e pelo coach Pablo Marçal.
“Estamos numa situação de risco. A campanha de terrorismo eleitoral do PT, aquele canal ‘Exército do Lula’, realmente está conseguindo mobilizar a esquerda de uma maneira que a gente nunca viu e está conseguindo fazer um impacto nos trackings”, afirmou Gayer em áudio gravado para o canal, em referência a pesquisas de opinião feitas para consumo interno de campanhas.
Um membro da equipe de Flávio confirmou à reportagem que os trackings se mexeram a favor de Lula nos últimos dias e atribuiu o impacto à mobilização petista na internet. O agregador de pesquisas Polling Data, que faz um censo contínuo de todas as pesquisas eleitorais divulgadas na imprensa, aponta para um encurtamento de distância entre Flávio e Lula para o segundo turno, de 48% a 44% em 7 de outubro, para 48% a 46% agora.
Os bolsonaristas têm feito apelos à militância para convidar a maior quantidade possível de pessoas ao canal, de modo a fazer frente a Janones. A batalha foi parar no TSE, com a retirada temporária do canal “Exército do Lula” do ar, por disseminar notícias falsas, e acusação de tratamento privilegiado ao “Tropa do Flávio”.
Desde o desempenho abaixo do esperado pela campanha nas urnas, Lula tenta modernizar a comunicação, passou a adotar novo comportamento nas redes sociais e deu andamento a uma série de medidas visando ganhar votos a poucos dias da eleição, com a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 e o perdão das dívidas de microempreendedores individuais (MEI).
Enquanto isso, aliados de Flávio vêm trocando farpas sobre os rumos da campanha no segundo turno. Existe uma crítica no entorno do senador de que os candidatos que foram eleitos no dia 4 se desmobilizaram e pararam de fazer campanha para Flávio.
O empresário bolsonarista Tallis Gomes compartilhou nas redes sociais um site para monitorar o engajamento à campanha presidencial, de modo a colocar pressão sobre quem não está se movendo. “Pressão na turma que se elegeu e não estão engajados para eleger o Flávio no 2º turno!”, escreveu no X. O comunicador Paulo Figueiredo, braço direito de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, endossou a crítica e reclamou que não consegue encontrar “um assunto bom do Flávio, um corte, uma fala boa, uma pauta dominante” para ele usar em seu canal no YouTube.
“Os deputados, senadores e governadores que estão eleitos resolveram descansar e pararam de fazer campanha. Infelizmente, a partir de agora vou começar a divulgar para que o eleitor saiba quem está ou não fazendo campanha pelo @FlavioBolsonaro”, publicou. (Com informações de O Estado de S. Paulo)