Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024

Home em foco Bolsonaro almoça com banqueiros nesta segunda

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Depois de fazer críticas a banqueiros pela decisão da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) de aderir ao manifesto em defesa da democracia da Fiesp, o presidente Jair Bolsonaro decidiu distensionar a relação com o setor e acionou interlocutores da área econômica e política para negociar um encontro com a entidade. O resultado foi o agendamento de um almoço na Febraban nesta segunda (8).

Segundo assessores presidenciais, a avaliação feita no governo é que Bolsonaro, ao criticar empresários e banqueiros, chegando a classificá-los de “sem caráter” e “cara de pau” por decidirem assinar a carta da Fiesp, que ele tratou como ato político, estava se isolando e criando arestas no setor empresarial.

Um empresário chegou a declarar que alguns colegas estavam repensando a posição na disputa eleitoral diante dos ataques do presidente.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também será recebido pela entidade nos próximos dias. A rodada de conversas entre presidentes dos principais bancos do País e candidatos começaria a ser articulada no final da última semana, quando terminou o prazo para as convenções partidárias.

A Febraban vai agendar encontros com outros candidatos à Presidência da República. Já foram feitos contatos com as equipes da senadora Simone Tebet (MDB). A equipe de Ciro Gomes (PDT) também será procurada.

Clima tenso

O presidente vai a São Paulo acompanhado por Ciro Nogueira, que na última semana elevou a temperatura do ambiente com um tuíte em que afirmava que o “BC independente colocou em prática o Pix, que por ano transferiu mais de 30, 40 bilhões de reais de tarifas que os bancos ganhavam a cada transferência bancária e hoje é de graça”.

Em seguida, Bolsonaro bateu na mesma tecla em conversa com seus apoiadores:

— Você pode ver esse negócio de carta aos brasileiros em favor da democracia, os banqueiros tão patrocinando. É o Pix, eu dei uma paulada neles. Os bancos digitais também, que nós facilitamos. Nós estamos acabando com o monopólio dos bancos, eles estão perdendo o poder. Carta pela democracia, qual a ameaça que eu tô fazendo à democracia?”.

Foi o próprio Ciro, no entanto, quem negociou com Isaac Sidney, presidente da entidade, a ida de Bolsonaro para um almoço com os banqueiros que criticou. Pedro Moreira Salles, do Itaú Unibanco, um dos banqueiros que assinaram o manifesto pela democracia é integrante do conselho consultivo da Febraban e não deverá participar do encontro.

Os bancos, do seu lado, lembram que estão desenvolvendo serviços com o PIX e seus lucros não caíram no período.
Diante do risco de um maior isolamento do presidente, assessores da área política e econômica decidiram entrar em contato com banqueiros e a direção da Febraban para contornar o mal-estar e agendar um encontro na entidade.

Ataques

No ano passado, quando a entidade decidiu apoiar um manifesto na véspera dos atos de 7 de Setembro, a postura do governo Bolsonaro foi reativa. Na época, o então presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, incendiou a relação ao propor a saída da instituição e do Banco do Brasil da tradicional entidade, o que acabou não acontecendo. Os dois bancos públicos estão na lista dos cinco maiores associados da Febraban.

A entidade liderou a busca de apoio para um manifesto que pede compromisso com “a soberania do povo expressa pelo voto”. O texto, assinado por mais de cem entidades, será lido em um dos atos organizados para ocorrer no dia 11 de agosto na Faculdade de Direito da USP. Na mesma ocasião também será lida a carta em defesa da democracia redigida por juristas – que acumula mais de 765 mil signatários. Milhares de pessoas são aguardadas pelos organizadores do evento, que tem entre as mensagens o respeito à Justiça Eleitoral e ao resultado das eleições deste ano.

Bolsonaro ensaiou uma ida à Fiesp no dia 11, mas cancelou a participação após notícias de que seria convidado a assinar o manifesto durante sua visita à entidade. Alguns conselheiros da campanha também indicaram que seria um erro rivalizar com o movimento na mesma data.

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