Domingo, 19 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de janeiro de 2022
O presidente Jair Bolsonaro voltou nesta quinta-feira (6) a criticar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pela autorização à vacinação infantil contra o novo coronavírus e colocou novamente em dúvida a eficácia da imunização em crianças de 5 a 11 anos.
Em entrevista à TV Nova Nordeste, de Pernambuco, Bolsonaro sugeriu haver interesses por trás da aprovação da vacinação para os menores e chamou os técnicos da Anvisa de “tarados por vacina”, repetindo que não vacinará sua filha caçula, Laura.
“A Anvisa lamentavelmente aprovou a vacina para crianças entre 5 e 11 anos de idade. A minha opinião, quero dar para você aqui, a minha filha de 11 anos não será vacinada”, afirmou.
Sem provas e/ou evidências, o mandatário insinuou que a Anvisa e “pessoas taradas por vacinas” poderiam ter “interesses” ao dar aval à medida. “O que está por trás? Qual é o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse daquelas pessoas taradas por vacina? É pela sua vida? É pela sua saúde? Se fosse, estariam preocupados com outras doenças no Brasil, que não estão”, ressaltou.
Apesar da Anvisa e outras agências internacionais considerarem os imunizantes seguros e eficazes, Bolsonaro recomendou que as pessoas não se deixem “levar pela propaganda” e pediu a todos os pais e mães para conversarem entre si e com vizinhos a fim de debater a possibilidade de vacinar ou não os respectivos filhos.
“Eu pergunto: você tem conhecimento de alguma criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de Covid? Eu não tenho. Na minha frente tem umas 10 pessoas aqui. Se alguém tem, levanta o braço. Ninguém levantou o braço na minha frente”, enfatizou.
Nesta semana, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou a inclusão de crianças de 5 a 11 anos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19, mas sem a exigência de prescrição médica.
Aliados perplexos
O novo ataque do presidente Jair Bolsonaro à vacinação infantil, em entrevista nesta quinta, causou perplexidade em aliados do Centrão.
Para esses políticos, o tema já tinha sido resolvido com a decisão do Ministério da Saúde. Diante do desgaste causado pela tentativa de exigir receita médica, já abandonada, a expectativa era de que Bolsonaro mudaria de agenda.
Nesta quinta, no entanto, o presidente voltou ao assunto e minimizou as mortes por covid nessa faixa etária, dizendo que o número é “quase zero”. Uma desinformação, já que o Ministério da Saúde contabiliza 308 mortes de crianças entre 5 e 11 anos desde o início da pandemia.
Os aliados do governo temem que a nova declaração aumente ou consolide a rejeição ao presidente. No mais recente Datafolha, em dezembro, o nome de Bolsonaro foi rejeitado por 60% dos entrevistados.
“O desgaste já tinha sido enorme com todas as dificuldades colocadas pelo governo para a vacinação das crianças. Mas voltar ao assunto é um suicídio político. Afinal, o presidente quer ficar falando apenas para uma minoria da população”, questionou ao blog um influente líder do Centrão.
Outro interlocutor próximo do presidente Bolsonaro também demonstrou perplexidade com as novas declarações do mandatário. E lembrou que, ao dar tais declarações, o presidente se opõe ao desejo de pais e avós que querem garantir a vacinação de filhos e netos.
“Todo mundo ficou sem entender onde o presidente quer chegar. Afinal, a vacinação é um consenso no Brasil. Todo pai e todo avô quer a garantia de que seu filho ou neto esteja vacinado contra covid”, disse esse interlocutor do Palácio do Planalto.