Domingo, 19 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 18 de abril de 2026
O presidente Donald Trump já disse: “Cuba é a próxima”. Ele não disse quando e como pretende focar numa intervenção em Cuba, mas seu governo precisa desesperadamente de uma vitória em política externa antes das eleições de novembro para o Congresso americano. Congresso americano. Negociações entre Washington e Havana estão em andamento. Quanto mais rapidamente elas avançarem, melhor será para o povo cubano, que sofre hoje com uma das piores crises econômicas da história do país.
No seu primeiro mandato, Trump deu uma guinada na relação com a ditadura da ilha caribenha. Ele acabou com a política de abertura e aproximação do governo anterior, do democrata Barack Obama, e impôs centenas de restrições ao comércio, às viagens e às relações com Cuba, além de incluir o país na lista de nações acusadas pelos EUA de patrocinar o terrorismo. Neste segundo mandato, Trump impôs em janeiro um bloqueio energético, ao impedir ou inibir países fornecedores de vender petróleo para o regime cubano. Recentemente, permitiu que um navio petroleiro russo atracasse em Cuba, possivelmente para evitar um confronto com Moscou sobre o tema. Mas esse carregamento isolado pouco servirá para mitigar a escassez de combustíveis que paralisou a economia cubana.
A guerra no Irã vem sendo um desastre para Trump. O conflito fez disparar o preço dos combustíveis nos EUA, está alimentando uma alta da inflação e rachou a base republicana. A guerra derrubou a aprovação de Trump. Segundo a média das pesquisas elaborada pelo site RealClearPolitics, apenas 41,6% dos americanos aprovam a atuação do presidente. Essa deterioração na popularidade de Trump torna difícil para o Partido Republicano manter a maioria no Congresso nas eleições de novembro. Pesquisas de intenção de voto sugerem que a oposição democrata poderá tomar a Câmara e, talvez, até o Senado.
Trump e seu partido têm poucas opções para mudar, até o fim do ano, essa percepção negativa dos eleitores. Dificilmente os EUA conseguirão no Irã algo que possam declarar como uma vitória incontestável. Apesar da morte do líder supremo iraniano, não houve troca de regime; o país continua resistindo aos ataques, conseguiu fechar o estreito de Ormuz e mantém o tom desafiador. Também é pouco provável que a economia americana melhore consideravelmente nos próximos meses; pelo contrário, o choque do petróleo torna as perspectivas mais sombrias. Assim, Cuba surge como uma possível tábua de salvação política.
Ao contrário do Irã e da Venezuela, que têm enormes reservas de petróleo e gás, Cuba tem pouco a oferecer economicamente aos EUA. Mas o país tem uma importância simbólica. Desde os anos 1960, sucessivos governos americanos buscaram, sem sucesso, dobrar o regime comunista cubano. Se Trump conseguir, terá um trunfo para mostrar aos eleitores, principalmente aos milhões de americanos de origem latina.
Mas o que Trump quer com Cuba? A experiência na Venezuela e no Irã sugere que ele não deve mandar tropas para derrubar o regime cubano. Isso seria arriscado, especialmente numa campanha eleitoral. Trump já sinalizou que lhe basta que haja um governo favorável aos EUA, que abra o país a negócios com empresas americanas. Foi o que ocorreu em Caracas. Isso possivelmente passa pela saída do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, uma condição de Washington para que as negociações com Havana avancem. A troca de líder permite a Trump declarar que houve uma mudança de governo, como ele alega no caso de Venezuela e Irã. Para atingir esse objetivo, o presidente deve usar toda forma de pressão econômica, como o bloqueio energético.
Questionado em entrevista à TV americana NBC News se estaria disposto a deixar o cargo para salvar o país, Díaz-Canel afirmou que não vai renunciar. “Temos um Estado livre e soberano, desfrutamos de autodeterminação e independência, e não estamos sujeitos aos desígnios dos EUA”, afirmou ele. “Em Cuba, aqueles que ocupam posições de liderança não são escolhidos pelo governo dos EUA, nem possuem um mandato desse governo.”
Os líderes cubanos, no entanto, também não foram escolhidos pelos cidadãos do país, onde não há eleições livres.
O regime comunista já demonstrou que prefere deixar a população sofrer a abrir mão do monopólio do poder. Foi o que ocorreu durante o chamado “período especial”, nos anos 90, quando o colapso da extinta União Soviética jogou a economia de Cuba na sua pior crise até então. E, mesmo assim, a liderança cubana se recusou a abrir o país política e economicamente, o que poderia trazer capital externo tão necessário. (Com informações do Valor Econômico)