Terça-feira, 07 de Julho de 2026

Home Brasil Brasil tem 37% da população acima de 15 anos sem concluir a educação básica

Compartilhe esta notícia:

O Brasil tem hoje 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que abandonaram a escola antes de concluir a educação básica, mostra o estudo “População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas”. O contingente é equivalente a 37,3% da população nessa faixa etária, maior que a população de países como Itália ou África do Sul.

O relatório, apresentado nessa terça-feira (7) durante o lançamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, é uma iniciativa que reúne 16 organizações da sociedade civil em torno de um compromisso de longo prazo para ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e promover a inclusão produtiva no Brasil. O estudo foi realizado por Fundação Roberto Martinho, Fundação Bradesco, Fundação Itaú/ Itaú Educação e Trabalho e Fundação Arymax, com a cooperação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A rede tem como objetivo dois compromissos de longo prazo: ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA), e impulsionar a inclusão produtiva no país.

O relatório produzido pelo grupo mostra que esse número de brasileiros que não concluíram a educação básica vem diminuindo, mas não pelo avanço de políticas públicas, e sim pela mortalidade desse público. Os dados apontam que 51% da redução da demanda por Educação de Jovens e Adultos (EJA) desde 2012 ocorreu não pela escolarização dessa população, mas em razão da mortalidade. Em contrapartida, 8% dessa queda é explicada pelo programa.

Em outras palavras, para cada pessoa que concluiu a educação básica pela EJA nesse período, mais de seis morreram sem terminar os estudos. “A queda da demanda não significa que o problema está sendo resolvido. Indica que essa população está envelhecendo e morrendo antes de ser alcançada. E que os próximos 10 a 15 anos representam a última janela de oportunidade para alcançar as gerações nascidas entre 1960 e 1980”, alerta o relatório.

Desde 2012, o contingente de brasileiros sem educação básica caiu 16%. Mas, ao acompanhar gerações nascidas entre 1930 e 1994 com base nos dados da Pnad Contínua do IBGE, os pesquisadores chegaram à conclusão de que o encolhimento da demanda não decorre da expansão da escolarização, mas do envelhecimento dessa população.

A explicação aparece na baixa capacidade da principal política pública voltada para esse público. Hoje, a Educação de Jovens e Adultos atende apenas 1,5% da demanda potencial do país. A cobertura varia entre as etapas:

* 1,4% nos anos iniciais do Ensino Fundamental;
* 1,1% nos anos finais;
* 2,3% no Ensino Médio.

Alagoas é o Estado que registra a maior taxa de atendimento (4,1%), enquanto Mato Grosso do Sul tem a menor (0,7%).

A oferta da modalidade também encolheu. Entre 2008 e 2024, o número de municípios brasileiros sem nenhuma turma de EJA mais que dobrou, passando de 493 para 1.092. Das 122.469 escolas que oferecem educação básica no país, 24,6% mantêm turmas da modalidade. Na prática, três em cada quatro escolas brasileiras não oferecem essa oportunidade para jovens e adultos que desejam retomar os estudos.

Os pesquisadores atribuem esse cenário a anos de baixa prioridade da modalidade. Durante 16 anos, a EJA recebeu o menor fator de ponderação do Fundeb entre todas as etapas da educação básica — distorção corrigida apenas em 2023. O último material didático específico foi distribuído em 2014, deixando uma década sem atualização. Além disso, segundo diagnóstico do próprio Ministério da Educação citado pelo estudo, há oferta reduzida de formação de professores voltada ao ensino de jovens e adultos.

Custo

O estudo ainda calculou o custo da incompletude educacional da população, estimado em R$ 66 bilhões em renda perdida. O valor considera que renda domiciliar per capita de quem está fora da escola sem concluir a educação básica é de R$ 1.427, pouco mais da metade dos R$ 2.777 recebidos, em média, por quem concluiu essa etapa de ensino. Entre esse grupo:

* 56,5% vivem em domicílios com renda de até um salário mínimo;
* 32,8% vivem abaixo da linha de pobreza adotada para países de renda média-alta;
* a taxa de pobreza é 1,8 vez maior do que entre quem concluiu a educação básica.

Para estimar o impacto econômico da baixa escolaridade, os pesquisadores simularam o que aconteceria caso metade dessa população — cerca de 32,5 milhões de pessoas — concluísse a educação básica. O resultado aponta um ganho potencial equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB). (Com informações do jornal O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Brasil tem 37% da população acima de 15 anos sem concluir a educação básica
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News