Segunda-feira, 14 de Setembro de 2026

Home Rio Grande do Sul Caso Samylle Valentina: Ministério Público do RS denuncia tios de menina de 4 anos por tortura

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Os tios de uma menina de 4 anos morta com sinais de agressão em Viamão, no Rio Grande do Sul, foram denunciados pelo MPRS (Ministério Público do Rio Grande do Sul) na última sexta-feira (11). Eles responderão por feminicídio e tortura. Samylle Valentina chegou morta a uma UPA de Porto Alegre na noite de 16 de agosto.

O homem foi denunciado por ter praticado as agressões que resultaram na morte da criança. Já a tia foi denunciada por ter contribuído para o resultado morte por sua omissão. Ambos também responderão pelo crime de tortura por conta das agressões contra a menina.

Conforme a denúncia, o feminicídio foi cometido em contexto de violência doméstica e familiar contra a vítima menor de 14 anos, com emprego de tortura e meio cruel, mediante recurso que dificultou a defesa da criança e por motivo fútil.

A investigação da Polícia Civil apontou que as agressões teriam sido motivadas pelo fato de a menina ter evacuado nas roupas. Segundo a Promotoria, o caso se enquadra como feminicídio porque a vítima, uma menina, residia com os denunciados, e era submetida à violência doméstica e familiar.

Em relação ao crime de tortura, o MPRS aponta que Samylle vinha sendo submetida a intenso sofrimento físico como forma de castigo pessoal. O laudo de necropsia identificou lesões em diferentes estágios de cicatrização, compatíveis com episódios de violência ocorridos ao longo de dias e semanas.

Relembre o caso

Samylle teria ido morar com os tios apenas dois meses antes do crime. À polícia, Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, confessou as agressões à sobrinha. A mãe da menina foi ouvida pela Polícia Civil e disse, em depoimento, que estava sendo impedida pelos tios de visitar a filha.

A mulher disse que se separou do companheiro e foi para a casa de uma amiga. Nessa condição, alegou que não teria como levar Samylle e a outra filha, irmã da menina, de 9 anos, junto dela. Dessa forma, a mais velha foi morar com o pai e Samylle ficou com uma amiga da mãe, que morava na mesma rua.

Contudo, em julho, o Conselho Tutelar teria concedido a tutela provisória da menina à tia, que alegou que a mãe não teria condições de cuidar dela. A mulher, inclusive, estaria em tratativas para obter a guarda definitiva da sobrinha.

Em depoimento, a tia relatou que encontrou a criança com lesões no corpo quando chegou em casa após o trabalho. Ela teria questionado o companheiro a respeito e os dois tiveram uma discussão. Mais tarde, a tia notou que a criança apresentava espuma pela boca, como se estivesse tendo uma convulsão. O casal, então, buscou atendimento médico.

Os avós maternos de Samylle também prestaram depoimento e relataram que a menina apresentava ferimentos quando esteve com a família no Dia dos Pais. Na ocasião, a explicação para os machucados foi de que a menina caiu.

 

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