Terça-feira, 18 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de agosto de 2026
Após viver a maior parte do seu terceiro mandato presidencial com uma relação de ida e vindas com a cúpula do Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agora tem conseguido fazer um movimento de reaproximação com os principais nomes do Poder Legislativo.
Nas duas últimas semanas ele teve três reuniões com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recebeu o apoio explícito na eleição presidencial do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e viu o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e o ex-presidente da Câmara Artur Lira (PP-AL) agirem para o PP não indicar o vice de Flávio Bolsonaro, candidato do PL a presidente e principal rival do petista.
O diálogo entre esses partidos ora é feita de forma direta, como nos casos que envolvem Motta e Alcolumbre, que se reúnem com Lula, ora indireta, como é o caso de Ciro Nogueira, que usa aliados para intermediar acordos, como o líder do PP na Câmara, deputado Doutor Luizinho (RJ).
A federação União-PP e o Republicanos adotaram neutralidade nas eleições e fizeram isso até em estados-chave que Flávio contava com o apoio deles, como Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Há uma avaliação desses caciques partidários de que Lula, que lidera as pesquisas, têm mais chances de vencer a eleição, e também acordos para esses atores políticos se manterem no comando do Congresso em 2027.
O caso Dark Horse, revelado pelo site The Intercept, que mostrou que Flávio pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para financiar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, contribuiu para afastar os principais nomes do Centrão do candidato do PL.
Ciro Nogueira, que já foi alvo de mandado de busca e apreensão em uma operação da Polícia Federal que investiga que ele teria atuado a favor dos interesses de Vorcaro, algo que ele nega, tenta se desvincular do tema e passou a adotar um distanciamento de Flávio.
Nogueira fez aliança com o PL no Piauí, mas evita fazer campanha para Flávio Bolsonaro. O candidato do PL à Presidência também não citou o nome de Ciro no início de agosto, quando listou os candidatos ao Senado apoiados por ele.
Flávio chegou a citar que apoia Arthur Lira, que vai disputar o Senado em Alagoas, mas Lira não retribuiu o gesto e tem silenciado sobre a eleição presidencial.
Integrantes do PP dizem que Lira articulou para que a federação com o União Brasil adotasse neutralidade e que ele foi um dos atores que barrou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) de ser vice de Flávio, após ela ter sido convidada pelo presidenciável.
O ex-presidente da Câmara chegou a ser visto em uma casa em Brasília onde Flávio recebia aliados que iam se candidatar ao Senado, mas o deputado minimizou a presença e disse que estava lá porque deu carona a um aliado. Lira é aliado do PL em Alagoas, mas também tenta manter pontes com o governo Lula.
Na relação entre o PL de Flávio e Alcolumbre também há estremecimentos. O PL tem a expectativa de ter a maior bancada de senadores e, independentemente de uma vitória nas eleições presidenciais ou não, ameaça lançar um candidato próprio ao comando do Senado para emplacar impeachment de ministros do Supremo.
Por sua vez, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tenta apoio de Lula e do PT para se reeleger e se manter na presidência da Casa Legislativa.
Entre os nomes que podem aparecer como concorrentes de Alcolumbre no ano que vem, com apoio do bolsonarismo, estão os senadores Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e Tereza Cristina, que foi cotada para ser vice dele em uma operação que falhou, mas que permanece aliada do candidato do PL.
O presidente do Senado tem uma relação próxima de diálogo com ministros do STF, inclusive Alexandre de Moraes, alvo de diversos pedidos de impeachment feitos por parlamentares bolsonaristas devido a casos que miram o grupo político na Corte, e tem resistido a pautar esses pedidos de afastamento.
Diferentemente de Hugo Motta, Alcolumbre não fez uma declaração direta de apoio eleitoral a Lula e nem declarou voto no petista.
Apesar disso, o presidente do Senado fechou uma aliança com o PT no Amapá e apoia a reeleição do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso.
Por sua vez, o PT de Lula apoia a reeleição do governador do Amapá, Clécio Andrade (União Brasil), aliado de Alcolumbre.
Davi Alcolumbre atuou para que a federação União-PP adotasse a neutralidade em nível nacional e também facilitou acordos locais. (Com informações do jornal O Globo)