Terça-feira, 18 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de agosto de 2026
A estreia do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas ruas, marcada por um ato de campanha na Praia de Copacabana que reuniu cerca de nove mil pessoas, provocou uma onda de avaliações críticas dentro do próprio PL sobre o formato escolhido para os próximos eventos da mobilização presidencial.
Desprovido de nomes com forte apelo junto à base conservadora — como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia —, o presidenciável ocupou o mesmo espaço tradicional de grandes manifestações promovidas por seu pai nos últimos anos, deixando uma imagem de esvaziamento que gerou desconforto em quadros da legenda, relata o jornal O Globo.
A disparidade dos números em relação a encontros anteriores na orla carioca pesou na análise da cúpula partidária. Durante a campanha de reeleição em 7 de setembro de 2022, Jair Bolsonaro (PL) atraiu cerca de 64 mil apoiadores à Avenida Atlântica. Em 2024, no mesmo feriado de 7 de setembro, um ato pró-anistia encabeçado pelo ex-presidente reuniu aproximadamente 32 mil pessoas. O contingente registrado no evento de Flávio — estimado em nove mil presentes — revela uma queda expressiva. As estimativas citadas foram elaboradas pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap.
Para amenizar o impacto visual do público reduzido, integrantes do comitê de campanha e aliados apegaram-se ao desempenho registrado no ambiente virtual. O argumento defensivo é que a transmissão ao vivo do lançamento atingiu um pico de cerca de 35 mil espectadores simultâneos.
Na visão de interlocutores do candidato, embora o parlamentar ainda não consiga demonstrar na prática o mesmo poder de atração presencial de seu pai, o evento logrou êxito ao alcançar um contingente representativo de simpatizantes pela internet, reforçando a estratégia de utilizar as redes digitais como pilar central da campanha.
Segundo dirigentes do PL, a presença de uma plateia menor já era prevista antes mesmo da abertura dos trabalhos. Contudo, a principal restrição feita por organizadores após a realização da atividade concentra-se no planejamento do espaço: diante do cenário já antecipado, argumenta-se que a equipe deveria ter delimitado uma área física reduzida na praia para adensar a multidão, ou transferido o comício para outro local. A grande extensão territorial reservada em Copacabana acabou evidenciando os espaços vazios e gerando imagens consideradas desfavoráveis para a imagem do postulante.
Nos bastidores, correligionários apontam que uma campanha eleitoral tem dinâmicas e exigências distintas das manifestações populares promovidas por Jair Bolsonaro nos últimos anos. Além de o candidato ainda não ter demonstrado o mesmo apelo de convocação, a largada ocorreu no primeiro dia oficial da campanha eleitoral, momento em que parlamentares e lideranças estaduais priorizavam os seus próprios compromissos e agendas locais nos estados.
Por conta disso, parlamentares de fora do Rio de Janeiro não foram convocados para deslocamentos até a capital fluminense. Entendeu-se que não faria sentido para deputados e senadores abandonar suas bases eleitorais no dia de abertura do período de propaganda. Dessa forma, a comitiva de Flávio restringiu-se majoritariamente a políticos com reduto no estado do Rio de Janeiro e a quadros da alta direção partidária, incluindo o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
A ausência das principais figuras de apelo popular do bolsonarismo também enfraqueceu o ato. Michelle Bolsonaro priorizou sua própria agenda política ao estrear na disputa eleitoral em Ceilândia, no Distrito Federal, onde concorre a uma vaga no Senado Federal. Já o deputado Nikolas Ferreira não participou do lançamento.
Outro desfalque de destaque foi o do pastor Silas Malafaia, que articulou e organizou diversas manifestações públicas em apoio a Jair Bolsonaro após o término de seu mandato presidencial.
A maturidade e o prazo de divulgação do evento também entraram no rol de justificativas para o público presente. A convocação oficial para a agenda em Copacabana foi anunciada na quinta-feira que antecedeu o domingo de mobilização, restando apenas três dias para o engajamento do público. Pessoas próximas à organização ponderam que grandes atos de rua demandam um período mais dilatado de convocação para conseguir atrair caravanas e apoiadores provenientes de municípios e estados vizinhos.
A escolha da Praia de Copacabana ocorreu em função da carga simbólica do local, no estado onde Flávio consolidou sua carreira política e em um ponto geográfico transformado por seu pai em vitrine de demonstração de força popular. A proposta original buscava resgatar a estética e o formato dos atos tradicionais do bolsonarismo, com palanques abertos ao público na orla, descartando a realização de uma cerimônia fechada em auditório para convidados. (Com informações do portal Brasil 247)