Domingo, 26 de Maio de 2024

Home em foco China poderia sufocar Taiwan com um bloqueio naval. Geografia taiwanesa torna ilha vulnerável

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Por décadas, Pequim tem o olhar sobre Taiwan, a ilha autogovernada que a China reivindica como território. Os chineses fortaleceram seu Exército de Libertação Popular com o objetivo de, por fim, tomar o local caso esforços pacíficos de unificação fracassem. A China modernizou as capacidades de suas Forças Armadas e desenvolveu a maior Marinha do mundo, que agora desafia a supremacia americana nos mares em torno de Taiwan.

Ainda que provavelmente falte à China a capacidade de invadir e tomar o controle rapidamente de Taiwan, o país poderia tentar impor um bloqueio para forçar a ilha a abrir concessões – ou como prelúdio de uma ação militar maior. Nesse cenário, a China tentaria subjugar Taiwan sufocando a ilha e seus 23 milhões de habitantes com um cerco de navios e aeronaves, isolando-a fisicamente, economicamente e até digitalmente.

A China tentou usar os exercícios militares que realizou este mês para sinalizar sua confiança na capacidade do Exército de Libertação Popular de sitiar Taiwan. Os militares chineses dispararam mísseis balísticos nas águas costeiras de Taiwan, a 130 quilômetros da costa da China continental, lançando pelo menos quatro projéteis que cruzaram o céu imediatamente acima da ilha, de acordo com o Japão, e conduziram exercícios em zonas tão próximas à ilha como nunca havia ocorrido.

Em “A ciência da estratégia”, uma das cartilhas cruciais dos oficiais do Exército de Libertação Popular, Taiwan não é mencionada, mas o alvo é claro. O livro descreve um “bloqueio estratégico” como maneira de “destruir as conexões externas, econômicas e militares, do inimigo, para degradar sua capacidade operacional e seu potencial de guerra e deixá-lo isolado e desamparado”.

Durante os exercícios deste mês, a China evitou manobras mais provocativas, capazes de desencadear uma resposta mais enérgica de Taiwan. Mesmo assim, Pequim conseguiu expressar uma ameaça real, colocando Taiwan em alerta a respeito dos riscos de não atender às exigências dos chineses.

“Considero que eles deixaram claras suas intenções ao cercar Taiwan e refutar a intervenção estrangeira”, afirmou Ou Si-fu, pesquisador do Instituto para Defesa Nacional e Pesquisa em Segurança, entidade ligada ao Ministério da Defesa taiwanês. “Eles prenderam demonstrar que: ‘Taiwan pode ser isolada, então somos capazes de combatê-la’”.

Após a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, desafiar alertas de Pequim e visitar Taiwan, em 2 de agosto, a China retaliou acionando aeronaves e embarcações militares e disparando mísseis durante exercícios que duraram 72 horas. Pequim determinou seis áreas de exercícios em torno de Taiwan, incluindo nas águas da costa leste da ilha, em um esforço para projetar seu poder para além da China continental.

Os exercícios não foram um ensaio em escala total. Em um bloqueio real, os 11 mísseis que a China disparou nas águas em torno de Taiwan teriam servido pouco propósito militar, pois os projéteis usados são projetados para atingir alvos terrestres, não embarcações. A China ainda não acionou seus armamentos mais avançados. Os chineses sobrevoaram as proximidades de Taiwan, mas não o território terrestre da ilha. Apesar de três das zonas marítimas que a China determinou para esses exercícios invadirem águas territoriais reivindicadas por Taiwan, na prática os mísseis e navios chineses evitaram essas águas.

“Isso é guerra política”, afirmou Drew Thompson, pesquisador-sênior da Faculdade Lee Kuan Yew de Política Pública, em Cingapura, que trabalhou anteriormente no Pentágono. “O aspecto político do que eles fazem é certas vezes mais importante do que o treinamento real que eles estão realizando.”

Um bloqueio real envolveria centenas de embarcações e aeronaves a mais, assim como submarinos, tentando fechar os portos e aeroportos de Taiwan e repelir possíveis intervenções marítimas e aéreas dos EUA e seus aliados.

Em um bloqueio, a China teria também de assumir controle dos céus. A China possui várias bases navais e aéreas em seu trecho de costa diante de Taiwan, e muitas outras em numerosos outros pontos de sua costa. Os militares chineses também poderiam tentar derrubar aviões inimigos com mísseis terra-ar ou até atacar as bases americanas em Guam e no Japão.

Estrategistas militares chineses veem um bloqueio como uma estratégia que concede à China flexibilidade para apertar ou afrouxar um nó de forca no pescoço de Taiwan em função de seus objetivos.

Pequim poderia impor um bloqueio limitado, parando embarcações e as fiscalizando, sem atacar os portos de Taiwan. Dada a dependência de Taiwan em relação a importações de combustíveis e alimentos, até um bloqueio temporário poderia prejudicar a ilha politicamente e economicamente, permitindo à China um caminho contundente para empurrar suas demandas.

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