Quarta-feira, 01 de Dezembro de 2021

Home Brasil Chuvas, secas, geadas e queimadas devem manter em alta os preços dos alimentos até o próximo semestre

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Analistas de mercado avaliam que a ocorrência de chuvas, secas, geadas, queimadas no Brasil deve fazer os preços dos produtos agropecuários continuarem em alta, ao menos até o próximo semestre. A análise tem por base previsões da meteorologia, já que tais fenômenos afetam as plantações em todo o País.

Com as mudanças climáticas, essas situações extremas vêm acontecendo com mais frequência, em uma fonte de pressão contínua sobre o preço dos alimentos.

Nos últimos 12 meses, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a alimentação no domicílio subiu 14,41%, um pouco menos que os 16% que rodou ao longo do ano, dando a primazia da alta para a energia, provocada pela maior seca em 91 anos.

“Já se previa que esses extremos climáticos iam se acirrar. Falta de chuvas, muita chuva, tempestades mais fortes, com cada vez mais impacto sobre produção e preço de alimentos, como estamos vendo com o café agora. Depois de uma geada, veio uma seca grande. Haverá efeito em alguns preços em 2022”, afirma o professor universitário Luiz Roberto Cunha, especialista em inflação.

Esses eventos climáticos eram mais marcados sazonalmente, com espaçamento maior, lembra Cunha. Essa mudança no padrão climático gera incerteza sobre o movimento dos preços, o que dificulta o trabalho do Banco Central de controle da inflação: “O ponto todo é a incerteza. As geadas são mais difíceis de prever. O modelo do BC carrega um grau de incerteza”.

Mesmo com um arrefecimento na alta recente, dos 17 grupos de alimentos acompanhados pelo IBGE, apenas quatro ficaram mais baratos em setembro.

A depender do volume de chuvas que cair entre o Mato Grosso e o Paraná, há risco de os aumentos se estenderem para além do primeiro semestre de 2022. Plantações de açúcar, café, milho e até a produção de leite foram afetadas por secas, geadas e queimadas.

Chuva abaixo da média

Mesmo considerada resiliente, a produção de cana-de-açúcar caiu quase 10% este ano, com perda de produtividade e queimadas. Em setembro passado, o preço do açúcar subiu em todas as capitais do país. Em Belo Horizonte o reajuste alcançou 11,96%, segundo a pesquisa da cesta básica do Dieese.

“Foram dois anos seguidos com chuva abaixo da média do Mato Grosso ao Paraná. Tudo depende agora de como serão as chuvas de verão”, salienta o engenheiro-agrônomo Fabio Marin, professor da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

De janeiro a setembro, o açúcar ficou 34,6% mais caro em São Paulo e 29% no Rio. Outro subproduto, o álcool combustível, chegou a ultrapassar a marca de 70% do preço da gasolina em agosto (o patamar considerável rentável para se optar pelo combustível).

O café, com estragos causados pelas geadas entre julho e agosto, atingiu o maior nível de preços desde 2014. Segundo dados do Rabobank, a saca de 60 quilos de café arábica, o tipo de grão mais atingido, custava em setembro R$ 1.030, 78% a mais do que em setembro de 2020.

A quebra da safra pode influenciar os preços até 2023. Ainda não há certeza sobre a totalidade dos danos causados aos pés de café. Conforme César de Castro Alves, analista de Agronegócio do Itaú BBA, houve quebra de 34% na safra do café arábica e a próxima colheita deve ficar aquém do esperado.

Enchentes e geadas

O mesmo deve acontecer com a laranja. Foram colhidas este ano 268 milhões de caixas, 31% a menos do que na safra anterior. E a próxima safra deve ficar no mesmo patamar, quando se esperava crescimento de 30%. No caso do café, a cada 20 anos ocorrem geadas em áreas de cultivo de café:

A seca dificultou também a produção de leite e derivados, devido à queda na qualidade das pastagens. O leite já ficou 22% mais caro este ano. Mesmo com a cotação mais alta da história (quase R$ 2,40 por litro) o produtor tem tido margens menores.

O problema igualmente atingiu plantações de milho, elevando os preços das rações. Isso sem contar os efeitos da crise hídrica, com a alta da energia elétrica e a menor disponibilidade de água, que vem sendo racionada em várias cidades do país.

Alves ressalta que as quebras de safras dificultam o abastecimento justamente no momento em que o mundo retoma o consumo pós-pandemia e vários setores ainda sofrem com o desarranjo na cadeia produtiva.

Ainda segundo ele, os preços dos alimentos devem continuar pressionados pelo aumento da demanda mundial e pela alta de insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas, que são importados e sofrem o impacto do dólar.

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