Quinta-feira, 22 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 21 de outubro de 2026
Quem convive com diabetes sabe o quão preocupante e frequente pode ser o aparecimento de feridas de difícil cicatrização, especialmente nos pés. Os mecanismos que levam à formação desses machucados são múltiplos e, por isso, a ciência busca novos meios de ajudar quem convive com essa doença metabólica.
O problema começa antes mesmo do aparecimento das úlceras. Quando o diabetes não é controlado em longo prazo, a hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) somada ao estresse oxidativo e outras alterações metabólicas leva a inflamações nos vasos sanguíneos. Esse processo acelera a formação de placas de gordura, o que contribui para a obstrução das artérias e os problemas de saúde decorrente disso, incluindo o risco de infarto.
“Esse conjunto de alterações pode reduzir a chegada de sangue e nutrientes aos tecidos, fundamentais para o processo de cicatrização quando surge alguma ferida”, explica a endocrinologista Geísa Maria Campos de Macedo, coordenadora do departamento de Neuropatias e Complicações nos Pés da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes).
A doença também interfere na resposta imunológica, ao prejudicar a atuação das células responsáveis pela defesa contra infecções.
“Essas células passam a atuar de forma mais lenta, e alterações inflamatórias e o estresse oxidativo reduzem a capacidade de defesa do organismo”, detalha Macedo.
“A situação pode ficar ainda mais grave quando existem complicações como a neuropatia diabética.”
A neuropatia diabética ocorre quando a doença descontrolada compromete o funcionamento dos nervos. É mais comum que afete os nervos periféricos dos pés, o que explica por que a formação das feridas não cicatrizáveis ocorre frequentemente nesses membros. Muitas vezes, a pessoa sequer percebe que há algo de errado, pois os pés ficam insensíveis. Em casos avançados, pode ser necessário amputar um membro.
Um curativo pode ser a resposta
Os cuidados para evitar a necrose na úlcera devem ser constantes e pode levar meses até que se alcance a recuperação completa. O jovem Yunes Natal Menezes Coelho, 21, estudante de engenharia biomédica no Ensino Einstein, conhece bem essa preocupação.
“Meu avô tem diabetes e acompanhei de perto os cuidados para evitar as complicações nas feridas que ele tinha nos pés, que foram muitas”, lembra.
Foi daí que surgiu a ideia de trabalhar em um projeto para desenvolver um curativo que ajudasse na cicatrização. A proposta combina tecnologias modernas, como a impressão em 3D de um material gelatinoso, com propostas de eficácia já conhecidas na sabedoria popular, a exemplo do óleo de semente de uva, com ação cicatrizante.
“Embora sejam vários processos, todos convergem para estimular a cicatrização. Usamos um material que, quando pressionado, gera pequenas descargas elétricas. Essas cargas podem favorecer a entrada de cálcio nas células, que sinaliza ao organismo a necessidade de reprodução celular”, relata o engenheiro de materiais Roger Borges, pesquisador e professor da graduação em Engenharia Biomédica do Ensino Einstein, orientador da pesquisa de Yunes.
O projeto também utiliza impressão 3D para controlar a porosidade do curativo e permitir um melhor funcionamento de suas propriedades combinadas.
“O fato de esse curativo especial estar sendo desenvolvido para a pele já é um diferencial, já que a maioria desses biomateriais é pensada para a cicatrização de ossos e, por isso, costuma ser feita em cerâmicas rígidas”, observa Borges.
Por Redação Rádio Pampa | 21 de outubro de 2026
Quem convive com diabetes sabe o quão preocupante e frequente pode ser o aparecimento de feridas de difícil cicatrização, especialmente nos pés. Os mecanismos que levam à formação desses machucados são múltiplos e, por isso, a ciência busca novos meios de ajudar quem convive com essa doença metabólica.
O problema começa antes mesmo do aparecimento das úlceras. Quando o diabetes não é controlado em longo prazo, a hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) somada ao estresse oxidativo e outras alterações metabólicas leva a inflamações nos vasos sanguíneos. Esse processo acelera a formação de placas de gordura, o que contribui para a obstrução das artérias e os problemas de saúde decorrente disso, incluindo o risco de infarto.
“Esse conjunto de alterações pode reduzir a chegada de sangue e nutrientes aos tecidos, fundamentais para o processo de cicatrização quando surge alguma ferida”, explica a endocrinologista Geísa Maria Campos de Macedo, coordenadora do departamento de Neuropatias e Complicações nos Pés da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes).
A doença também interfere na resposta imunológica, ao prejudicar a atuação das células responsáveis pela defesa contra infecções.
“Essas células passam a atuar de forma mais lenta, e alterações inflamatórias e o estresse oxidativo reduzem a capacidade de defesa do organismo”, detalha Macedo.
“A situação pode ficar ainda mais grave quando existem complicações como a neuropatia diabética.”
A neuropatia diabética ocorre quando a doença descontrolada compromete o funcionamento dos nervos. É mais comum que afete os nervos periféricos dos pés, o que explica por que a formação das feridas não cicatrizáveis ocorre frequentemente nesses membros. Muitas vezes, a pessoa sequer percebe que há algo de errado, pois os pés ficam insensíveis. Em casos avançados, pode ser necessário amputar um membro.
Um curativo pode ser a resposta
Os cuidados para evitar a necrose na úlcera devem ser constantes e pode levar meses até que se alcance a recuperação completa. O jovem Yunes Natal Menezes Coelho, 21, estudante de engenharia biomédica no Ensino Einstein, conhece bem essa preocupação.
“Meu avô tem diabetes e acompanhei de perto os cuidados para evitar as complicações nas feridas que ele tinha nos pés, que foram muitas”, lembra.
Foi daí que surgiu a ideia de trabalhar em um projeto para desenvolver um curativo que ajudasse na cicatrização. A proposta combina tecnologias modernas, como a impressão em 3D de um material gelatinoso, com propostas de eficácia já conhecidas na sabedoria popular, a exemplo do óleo de semente de uva, com ação cicatrizante.
“Embora sejam vários processos, todos convergem para estimular a cicatrização. Usamos um material que, quando pressionado, gera pequenas descargas elétricas. Essas cargas podem favorecer a entrada de cálcio nas células, que sinaliza ao organismo a necessidade de reprodução celular”, relata o engenheiro de materiais Roger Borges, pesquisador e professor da graduação em Engenharia Biomédica do Ensino Einstein, orientador da pesquisa de Yunes.
O projeto também utiliza impressão 3D para controlar a porosidade do curativo e permitir um melhor funcionamento de suas propriedades combinadas.
“O fato de esse curativo especial estar sendo desenvolvido para a pele já é um diferencial, já que a maioria desses biomateriais é pensada para a cicatrização de ossos e, por isso, costuma ser feita em cerâmicas rígidas”, observa Borges.