Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de agosto de 2026
Quando falamos desse assunto, é comum ouvirmos que existe um bom e ruim. Mas, antes de entender essa diferença, vamos ao básico. O colesterol é um tipo de gordura, ou lipídio, presente na circulação sanguínea desde o nascimento. Ele é fundamental para a formação das membranas celulares, da bile (que auxilia na digestão), e de diversos hormônios esteroides. Atua no transporte de vitaminas lipossolúveis, como as vitaminas A, D, E e K.
O LDL (Lipoproteína de Baixa Densidade) é chamado de colesterol “ruim” porque, quando ele está elevado, favorece o depósito de gordura nas paredes das artérias. Em excesso, essas partículas podem atravessar a parede dos vasos, sofrer modificações e desencadear um processo inflamatório local.
Com o passar do tempo, isso favorece a aterosclerose, ocasionando o estreitamento dos vasos e podendo levar a infarto e AVC, explica o patologista clínico Helio Magarinos, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica.
Por que esse acúmulo acontece com mais facilidade em algumas pessoas?
A saúde dos vasos sanguíneos tem um papel importante nesse processo. Fatores como tabagismo, obesidade, excesso de gordura visceral, diabetes e hipertensão podem criar um ambiente inflamatório que prejudica a parede dos vasos e facilita a ação do colesterol, explica a médica Elaine Coutinho, da diretoria do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
O HDL (Lipoproteína de Alta Densidade) é conhecido como colesterol “bom”. Ele atua como uma espécie de “vassoura”, retirando o excesso de gordura dos tecidos e das paredes das artérias e levando-o de volta para o fígado para ser metabolizado e eliminado, diz Magarinos.
Vilão silencioso
Níveis elevados de colesterol ruim não provocam sintomas imediatos, sendo identificados apenas por meio de exame de sangue. Por isso é necessário realizar um lipidograma, que mede os níveis de gordura.
Como interpretar os resultados?
HDL: O ideal é que esteja acima de 40 mg/dL
LDL: As metas variam conforme a saúde do paciente, mas como base:
Baixo risco: Abaixo de 115 mg/dL
Alto risco: Abaixo de 70 mg/dL
Risco muito alto: Abaixo de 50 mg/dL
No exame aparece também o colesterol total, que serve apenas como um indicador geral. Para uma interpretação correta, o resultado deve ser analisado de forma individualizada, levando em conta:
• As quantidades específicas de LDL e HDL
• Os níveis de triglicerídeos
• O risco cardiovascular geral do paciente (presença de diabetes, hipertensão, fumo ou histórico familiar)
Alimentação
Hábitos alimentares influenciam? Sim, mas de forma parcial. Cerca de dois terços do colesterol são produzidos pelo próprio fígado, enquanto aproximadamente um terço vem da alimentação, diz Marcello Bertoluci, diretor do departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Mesmo não sendo o único fator determinante, a comida tem um papel importante porque alguns alimentos podem alterar os níveis de colesterol no sangue.
O principal fator associado ao aumento do LDL, o “colesterol ruim”, é o consumo excessivo de gorduras saturadas, presentes principalmente em produtos de origem animal e ultraprocessados, como:
• Carnes e embutidos: carne vermelha, carne suína e produtos processados, como salame e salsicha
• Leite e derivados: queijos amarelos, creme de leite e manteiga
• Frituras em geral
Já o colesterol bom está associado ao baseado no padrão mediterrâneo. São recomendados alimentos ricos em fibras e fitosteróis, além de:
• Azeite de oliva
• Aveia
• Grãos
• Sementes
• Nozes e outras oleaginosas
“Mesmo assim, a resposta à alimentação é individual e deve ser avaliada em conjunto com o risco cardiovascular e os resultados dos exames”, afirma Bertoluci.
Fator genético
Só o estilo de vida importa? Não. Em muitos casos, tem forte influência genética. Por isso, algumas pessoas podem apresentar níveis elevados mesmo mantendo hábitos considerados saudáveis.
Há situações em que a genética tem um papel predominante, como no caso da hipercolesterolemia familiar, uma condição em que alterações genéticas dificultam a remoção do LDL da circulação e podem levar a níveis muito elevados de colesterol desde a infância, explica Bertoluci.
Nesses casos, é recomendado acompanhamento médico para um diagnóstico preciso e, quando necessário, o uso de tratamento medicamentoso.