Sábado, 02 de Julho de 2022

Home em foco Como prevenir, identificar e tratar a covid em crianças

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Com a vacinação infantil ainda recém-começando no Brasil, pais e responsáveis de meninas e meninos de 5 a 11 anos estão cheios de dúvidas sobre como lidar com a infecção por coronavírus. Como protegê-los? Há sintomas específicos entre eles? Qual o tratamento a ser seguido?

O pediatra e sanitarista Daniel Becker decidiu escrever uma carta aberta aos pais de seus pequenos pacientes, que inundavam seus contatos com dúvidas — e temores — acerca do atual cenário de saúde no País.

Em sua mensagem, o médico tenta acalmar os adultos e passa orientações práticas e reforça seu apoio à vacinação contra a covid para a faixa etária. O pediatra destaca que dificilmente uma criança vai ter um quadro grave ao se infectar pela doença. No entanto, a necessidade de internação pode acontecer e, por isso, os pais e responsáveis devem ficar atentos ao estado de saúde da criança.

Dados contabilizados pelos Cartórios de Registro Civil brasileiros mostram que, entre março de 2020 e janeiro deste ano, foram notificados 324 óbitos de crianças na faixa de 5 a 11 anos causados pela covid. Dentre as mortes, 65 ocorreram em pequenos de apenas 5 anos de idade.

No texto, Becker chama atenção para os grupos que fazem campanha contra a vacinação das crianças, os classificando como “ferozes” e se diz impressionado com o número de mentiras espalhadas por eles. Desde que as autoridades brasileiras começaram a discutir a possibilidade de vacinar crianças a partir de 5 anos, vários grupos têm tentado aterrorizar pais e responsáveis a fim de impedi-los de imunizar seus pequenos.

“A imensa maioria dos pais quer vacinar as crianças”, afirma o médico. “Alguns pais estão com medo de mandar seus filhos de volta para a escola sem que elas tenham sido imunizadas ainda.”

Caso a infecção não seja evitada, confira algumas dicas sobre o que fazer.

1) Primeiros sintomas:

Para qualquer pessoa — criança ou adulto — com quadro febril, gripal (incluindo dor de garganta e cefaleia), ou gastrointestinal (vômitos, diarreia) é preciso ficar em casa e testar. Pode ser PCR ou Antígeno, já no 2º/3º dia de sintomas. Se um adulto sintomático testar positivo e houver crianças com sintomas em casa, elas podem ser consideradas positivas por suposição.

2) O que fazer quando os sintomas aparecerem?

O critério principal segue sendo avaliar o estado geral: se está comendo, brincando, sorrindo quando sem febre, podem seguir tratando em casa. Os quadros gripais devem ser leves a moderados e melhorar com 3 a 5 dias.

3) Tratamento:

O tratamento deve ser feito com muito soro nasal em spray, lavagem nasal com soro morno se a secreção ficar mais espessa ou nariz entupido, nebulização com soro, muito líquido (importantíssimo), frutas, comer o que conseguir, evitar biscoitos e outros ultraprocessados. É importante oferecer água ativamente, e com frequência. Hidratação é muito importante, e a criança não costuma pedir. Nós temos que oferecer. Uma colher de chá de mel três vezes por dia para os maiores de 1 ano e meio ajuda a acalmar a tosse.

Só precisa tratar a febre acima de 38.5°C se a criança estiver caída, incomodada, chorosa, com alguma dor. Usem Paracetamol ou Dipirona de preferência. Atenção, a dose não é uma gota por kg, especialmente nos mais velhos. Novalgina: dose de 0,6 a 0,8 gotas por quilo de peso, dose máxima de 20-25 gotas. Tylenol: 0,8 gotas por quilo. Evitem repetir a dose antes de seis horas de intervalo. Banho morno ajuda a abaixar a febre e se sentir melhor. Nunca gelado.

Dificilmente alguma criança fará um caso mais grave. Crianças de menos de um ano merecem observação mais atenta.

4) Quando ir para o hospital?

Se a febre persistir até o 4º/5º dia e o estado geral for ruim, se houver piora progressiva ou alteração respiratórias, ou qualquer sinal mais alarmante, a criança deve ser examinada. É o momento de entrar em contato com o pediatra ou levar a uma emergência.

5) Efeito da vacina

Vacinem seus filhos. Os antivacina estão ferozes e espalhando muitas mentiras, é impressionante. Não existe segurança absoluta em nenhum produto, mas o risco das vacinas é muito menor que o da doença, a ciência é assertiva em demonstrar isso. Se a criança teve covid, é preciso dar um intervalo de um mês entre o primeiro teste positivo e a dose da vacina.

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